"Ana escutava surpreendida as questões que lhe eram colocadas "Está a pensar engravidar? Tem filhos pequenos? Que idades têm?". A possibilidade de obter o posto de trabalho dependeria inteiramente das respostas que desse. Ana é mulher, mãe e esposa. E, por tudo isso, operária potencialmente inválida para trabalhar (…)".
Esta história encabeça um texto da jornalista Helena Forte ("Operárias que ninguém quer") que o Jornal de Notícias hoje publica e que deveria motivar denúncias tão encarniçadas quanto as daqueles que se encarniçaram na luta contra a despenalização do aborto, no referendo do passado dia 11.
Todos sabemos que, na actual situação de precariedade que afecta uma enorme parcela dos trabalhadores, a maternidade constitui um dos grandes entraves à contratação ou ao sucesso no emprego. O problema parece ser muito mais grave do que as estatísticas oficiais fazem crer. E, no entanto, estamos longe de ver um igual empenhamento e mobilização dos cidadãos (e, designadamente dos católicos) na denúncia deste comportamento ignóbil e anti-vida de tantos empresários e gestores.
