10 March, 2007

Dança dos bispos: Funchal também muda

No Público de sexta, saiu a notícia da nomeação do novo bispo do Funchal. Depois do Porto, há duas semanas, a diocese madeirense tem também um novo responsável, que terá um desafio essencial: desfazer a imagem de conivência entre os poderes político e religioso. A notícia, assinada por Natália Faria, fala do problema.

Novo bispo do Funchal espera manter diálogo adulto” com Alberto João Jardim

O novo bispo de Funchal, D. António Carrilho, prometeu ontem pautar as suas relações com Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, pelos princípios da “autonomia e cooperação”. “Estou convencido que haverá um diálogo maduro e adulto. Tendo as pessoas consciência daquilo que lhes compete, penso que não haverá dificuldades”, declarou aos jornalistas, no Paço Episcopal do Porto, onde foi bispo auxiliar nos últimos oito anos. Dizendo que uma das prioridades quando pisar a Madeira será recensear-se no Funchal, António Carrilho lembrou que só assumirá o novo cargo a 19 de Maio, já com o próximo acto eleitoral realizado. E, porque “as eleições não dizem directamente respeito ao bispo”, prometeu acatar as regras democráticas. “Se o povo elege alguém, assume essa responsabilidade e temos que respeitar essa decisão”. Quanto às críticas de quem acusa a subserviência da Igreja Católica relativamente ao Governo Regional da Madeira, D. António Carrilho escudou-se no desconhecimento. “Só depois de lá chegar poderei dizer se há ou não subjugação, mas estou convencido que os princípios de autonomia que me norteiam são os mesmos do bispo que lá está”. O melindre da relação entre Igreja e Governo Regional pode ter sido uma das razões para a dificuldade em encontrar sucessor para D. Teodoro Faria, o actual bispo: nos meios eclesiásticos, sabe-se que houve pelo menos um convidado para o lugar – Samuel Ornelas, actual responsável máximo dos Padres Dehonianos – que recusou a hipótese, tendo em conta também o cargo internacional que ocupa. Com 64 anos e origens algarvias, António José Cavaco Carrilho vai substituir Teodoro Faria, que atingiu o limite de idade. Durante doze anos exerceu actividade pastoral em Faro, depois em Lisboa. Em Fevereiro de 1999 foi nomeado bispo auxiliar do Porto. Aos que o rotulam como ortodoxo e apagado, D. António responde com um encolher de ombros. “Se for ortodoxo no sentido de que sou fiel ao evangelho sem preocupações de protagonismo, até considero um elogio”, reagiu, dizendo-se “perseverante no meio do povo” e avesso ao mediatismo. Uma característica que poderá ser-lhe útil enquanto bispo de origem continental num arquipélago onde a crispação política se alia ao problema da pedofilia. Sobre esta questão, declarou preferir “ter nas mãos elementos concretos para poder fazer juízos”. “Sei que esse problema existe na Madeira, como existe cá [no Continente], e merece-nos condenação, sem condenar as pessoas em si mas apontando comportamentos digno de pessoas humanas e de respeito pelos mais frágeis”, declarou.

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