A criação da vida não pode ser obra do acaso - Samuel Levy
Este é o terceiro texto dos depoimentos publicados no dia 11 de Março, no Público (ver mais abaixo), a propósito do ciclo na Culturgest.
Judeu, nascido em Lisboa a 7 de Julho de 1929. Foi presidente do Centro Israelita de Portugal de 1955 a 1957 e da Comunidade Israelita de Lisboa nas décadas de 50 e 60, e mais tarde de 2000 a 2002
Em primeiro lugar: a Fé é uma convicção que, por definição, não carece de explicação racional. Apesar disso posso dizer que acredito em Deus, porque sinto (e até reconheço racionalmente) que a criação do Universo e o seu funcionamento, a criação da Vida na Terra, em especial da vida humana, são de tal complexidade e harmonia que não podem ser obra do acaso. Não consigo acreditar que tudo isto seja obra do acaso. Acredito serem criações resultantes de uma vontade superior que também as faz funcionar segundo leis precisas necessárias e suficientes. Acredito num Deus (seja o que isso significar), como dizia Moisés Maimonides – 1135 ou 1138-1204, nasceu em Córdova e está enterrado em Tiberíades (Israel) –, Ser Primordial, infinito, incorpóreo, sem composição, eterno e único. De modo algum [é difícil ter fé hoje]. Sobretudo no caso da religião que professo – o Judaísmo – em que a definição de Deus que dei acima é clara e me parece absolutamente evidente. Aceito que haja cépticos que não consigam acreditar, mas que também não têm qualquer alternativa de explicação. Conforme referi na minha conferência na Culturgest, “pouca ciência afasta de Deus, muita ciência aproxima de Deus” (Einstein?). Quanto mais descobertas científicas mais admiração se tem pelas maravilhas da Criação. O Judaísmo não tem dogmas e não aceita a divinização de nada (nem coisas, nem seres vivos ou mortos). Deus é único.
