Este é o depoimento de Silas Oliveira, a propósito do ciclo da Culturgest, e que foi publicado há duas semanas no Público.
É no texto bíblico que escutamos o apelo
Silas Oliveira – Protestante, nasceu em 1945 na Guarda, onde o pai era pastor da Igreja Baptista local. Licenciado em Filologia Românica, tem trabalhado como jornalista e assessor de imprensa. Vive a sua fé na Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa
Em última instância, a minha fonte de fé, realmente, é o texto bíblico. É no testemunho dos povos que o viveram e o escreveram, que foram interpelados por ele – e, por fim, na vida e na palavra do Verbo que “habitou entre nós” (Ev. João 1:14) – que podemos continuar a escutar esse apelo de um Deus que fala, e nos propõe uma aliança e uma reconciliação (com Ele e entre nós). Pode parecer um alicerce frágil, ou demasiado subjectivo, mas a Bíblia é um texto surpreendente, que tem sobrevivido até mesmo às nossas teologias mais desastradas. A sua proposta essencial é sólida e continua a fazer sentido. A cultura está sempre a sugerir-nos deuses “concorrentes”, que não têm esta dimensão. Os ateísmos oficiais desembocaram em regimes “teocráticos” à sua maneira, erigindo ídolos que esmagam a nossa condição humana. O Deus “derrotado” mas disponível do Cristianismo bíblico, o que encontramos no “sermão da montanha” (Ev. Mateus 5-7), dá espaço, deixa respirar, converte-nos pela persuasão. A questão de fundo no Cristianismo (como, antes dele, no testemunho dos profetas hebraicos) é que acabamos por ter de escolher, e só esse Deus verdadeiro nos salva do culto dos deuses a fingir – que se torna sempre um culto de sacrifícios humanos.
