A partir das reflexões de especialistas de diferentes saberes – sociologia, genética, neurobiologia, filosofia, teologia, psiquiatria, ciências da comunicação, história, ética e bioética, politologia – Deus no Século XXI e o Futuro do Cristianismo, coordenado por Anselmo Borges, e acabado de editar pela Campo das Letras, propõe-se reflectir sobre o futuro de Deus e a Humanidade.
![]()
Sobre a obra que inclui textos de Adriano Moreira, Alexandre Castro Caldas, Andrés Torres Queiruga, Frei Bento Domingues, Daniel Serrão, Edward Schilllebeeckx, Enrique Dussel, Fernando J. Regateiro, João Maria André, Joaquim Fernandes, Johann Baptist Metz, José María Mardones, Juan Martín Velasco, Juan Masiá Clavel, Manuel Pinto, Teresa Martinho Toldy, escreve o seu coordenador, Anselmo Borges:
“Deus no Século XXI e o Futuro do Cristianismo. Aí está um tema paradoxal. Não é Deus sempre o mesmo? Há um Deus próprio do século XXI? E será legítimo pôr em causa o futuro do cristianismo?
Deus é sempre o mesmo, mas transformou-se e transforma-se no encontro com os homens e as mulheres, como estes e estas, no encontro com Deus, se transformaram e transformam. Há múltiplas figuras de Deus por causa da sua história com os homens e as mulheres, e a história dos homens e das mulheres e as suas figuras e autocompreensão também não seriam as mesmas sem a sua história com Deus.
Possivelmente, a revolução em curso neste início de século e milénio só tem comparação com as revoluções do neolítico e da modernidade, e tem múltiplos contornos e domínios.
São tais as perspectivas nos campos da genética e das neurociências e, consequentemente, das biotecnologias que se chega a pensar na possibilidade de uma bifurcação da Humanidade, a caminho do pós-humano. Pela primeira vez, a Humanidade tem nas suas mãos o seu segredo. O que pode e quer fazer com ele? É humano-ético tudo quanto é tecnicamente possível?
A globalização, que tem sido sobretudo tecnológica e económico-financeira no quadro do neoliberalismo, obriga a pensar uma governança mundial e coloca de modo novo a problemática do multiculturalismo.
Se se quiser evitar o ‘choque das civilizações’, impõe-se o diálogo intercultural no horizonte da mestiçagem, com todos os problemas de personalidades cada vez mais compósitas.”
