10 August, 2007
Filho de judeus polacos naturalizados franceses, tendo a mãe sido deportada e morta em Auschwitz, o cardeal Jean-Marie Lustiger, que, hoje, sexta-feira, foi a sepultar, publicou A Promessa (Paris: Parole et Silence, 2002), um importante livro que dá conta do modo como este judeu convertido ao cristianismo encara o mistério de Israel.
O diário La Croix publicou os extractos que seguem :
La tentation pagano-chrétienne
« L’Ancien Testament n’est ni une propédeutique, ni une préparation littéraire, ni un recueil de thèmes et de symboles : c’est un chemin véritable, nécessaire et actuel. Actuel, non par des rapprochements anecdotiques, mais par la communion et l’obéissance à Dieu ; actualité spirituelle de l’entrée dans le mystère de l’Élection.
Si les païens qui ont accès à l’Alliance dans le Christ ne font pas ce chemin, ils risquent de n’être pas réellement convertis et, donc, de mépriser le Christ, alors même qu’ils croyaient l’honorer. C’est la tentation permanente des peuples pagano-chrétiens. (…) Dès lors, la figure du Christ est réduite à la figure mythique ou purement païenne de la divinité à laquelle la raison occidentale impose son triomphe. »
L’Église
« L’une des erreurs d’optique où se porte le désir spirituel est de projeter sur le présent de l’Église une eschatologie réalisée au rabais. Cette erreur défigure l’espérance chrétienne. Elle transforme la vie chrétienne en un mythe ou, à l’inverse, en une insupportable tyrannie. On essaiera, par des moyens humains, de faire de la société chrétienne une figure du Royaume des cieux, alors qu’elle n’en est que la caricature souvent infernale. Dieu nous donne au contraire la force d’espérer. (…) Ce temps-ci n’est qu’un temps obscur, d’espérance et de fidélité, et non pas le temps de la gloire. »
Le mystère d’Israël
« Le mystère d’Israël, c’est indissolublement le mystère des chrétiens. C’est cela même que nous sommes tentés de refuser, que nous refusons sans cesse, et qui nous fait considérer le mystère d’Israël comme étranger à la foi chrétienne. Du coup, tout discours sur Israël tenu par des chrétiens risque d’être insupportable à Israël. Cependant, le but de notre méditation n’est pas d’être supportable ou insupportable aux juifs, mais d’être nous-mêmes dans la vérité de ce que Dieu nous demande. Il faut donc comprendre qu’il s’agit d’un mystère chrétien, et fondamentalement chrétien. (…).
Si l’on prétend en faire l’économie, on dévoile combien, et de quelle manière on est peu chrétien. (…) La question est de comprendre comment des gens cultivés, de bonne foi, sincèrement chrétiens, peuvent être amenés à ce refus d’enracinement. (…) C’est l’objet d’un combat spirituel qui demande un choix par rapport à Dieu et donc suppose l’offrande de la vie. (…) Aussi la théorie du rejet d’Israël apparaît comme un non-sens, une absurdité, puisqu’elle prétend que Dieu serait infidèle à son Alliance. Ce n’est pas comprendre le mystère du Christ lui-même. »
Un test absolu
« Le sort fait aux juifs est le test de la manière dont les païens devenus chrétiens acceptent en vérité le Christ. C’est vraiment le test absolu. Il ne s’agit pas là simplement du rapport entre l’amour du prochain et l’amour de Dieu. Le juif est le signe strict de l’Élection, et donc du Christ. Ne pas reconnaître son Élection, c’est ne pas reconnaître l’Élection du Christ. Et c’est être incapable d’accepter sa propre Élection. Il y a là une logique implacable. »
L’antisémitisme chrétien
« Il nous faut de plus aujourd’hui accepter qu’Israël soit lui-même, que les juifs soient eux-mêmes et se définissent comme ils l’entendent. Il ne faut pas idéaliser. Ils sont, comme les chrétiens, un peuple de pécheurs qui a à se convertir, à être fidèle à la grâce qui lui est faite. (…) Enfin, l’antisémitisme chrétien apparaît non pas comme un problème particulier de racisme parmi d’autres, mais en vérité comme un péché – un péché dont l’énormité est significative d’une infidélité profonde à la grâce du Christ. Dans ce que les chrétiens récusent d’Israël est attesté ce qu’ils rejettent du Christ et qu’ils n’avouent pas comme un refus.
Pour la conscience chrétienne, ce que l’on nomme « la question juive » n’est pas le problème d’une minorité raciale, ethnique ou culturelle. Dans tout peuple, dès lors qu’il y a une population étrangère, naissent des réflexes xénophobes. (…) Quand ce mécanisme s’empare des chrétiens à l’égard des juifs, il touche immédiatement la foi des chrétiens. Les juifs ne sont ce qu’ils sont que dans la mesure où ils sont d’abord les témoins de l’Élection. Leur rejet est, de la part des chrétiens, que ceux-ci le veuillent ou non, une appropriation abusive ou blasphématoire de l’Élection. C’est refuser concrètement la réalité du don de Dieu, des chemins de Dieu. »
Como Deus abre a porta da fé
Em Portugal, foi recentemente editada a obra Como Deus Abre a Porta da Fé (Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2007), título que retoma uma expressão dos Actos dos Apóstolos. As formas permanentes e contemporâneas da idolatria, os sacramentos da Igreja para o perdão libertador, a respeito do testemunho e da conversão e os paradoxos da evangelização hoje como ontem são alguns temas do livro.
No final do texto inicia a obra, uma oração de Blaise Pascal: "Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob, não dos filósofos e dos sábios. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz Deus de Jesus Cristo".
18 March, 2007
Terça-feira passada, foi publicada a notificação da Congregação para a Doutrina da Fé sobre duas obras do padre jesuíta Jon Sobrino. No Público de hoje, sai a notícia que escrevi sobre o tema.
O padre Jon Sobrino, jesuíta de origem espanhola a trabalhar desde há décadas em El Salvador, viu partes de dois dos seus livros sobre Jesus serem censuradas pelo Vaticano. A notificação da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), enviada a Jon Sobrino, um dos mais importantes teólogos contemporâneos, não prevê medidas disciplinares, deixando a questão para o bispo local. O arcebispo de San Salvador, Fernando Sanez Lacalle, que, de acordo com a AFP, é membro da Opus Dei, já interditou Sobrino de ensinar em nome da Igreja e publicar livros com autorização eclesiástica.
Sobrino, nascido em 1938, é um dos expoentes da teologia da libertação, uma corrente nascida na América Latina no final da década de 60. Os teólogos da libertação defendem que a luta pelos direitos dos mais desfavorecidos deve ser uma prioridade da missão da Igreja, tomando como referência as atitudes de Jesus relatadas nos evangelhos.
Na opinião da CDF, as teses do padre jesuíta não estão "conformes à doutrina da Igreja" (www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/doc_doc_index_po.htm). Apesar de apreciar "a preocupação do autor com a sorte dos pobres", a congregação diz que as duas obras em questão "apresentam, em certos pontos, notáveis divergências com a fé da Igreja". Os "pressupostos metodológicos", a "divindade de Jesus", a "encarnação do filho de Deus", a "relação entre Jesus" e o tema do reino de Deus, a "autoconsciência" de Cristo e "o valor salvífico da sua morte" são os seis temas referidos pela CDF, que afirma não pretender "julgar as intenções subjectivas" do autor.
Estes enunciados têm a ver, por exemplo, com a insistência que, no entender da congregação, Sobrino faz da dimensão humana de Jesus em detrimento da sua divindade. Também a expressão "Igreja dos pobres" em vez de "opção preferencial pelos pobres", está em causa.
Método desconfiado
Os livros analisados pela CDF foram Jesus, o Libertador - A História de Jesus de Nazaré (1991) e A Fé em Jesus Cristo - Ensaio a Partir das Vítimas (1999), ambos publicados em português pela Vozes, do Brasil. No primeiro, Sobrino escreve que a realidade salvadorenha, a partir da qual reflecte, "ilumina o que é o divino e o que é o humano, e o Cristo que os unifica".
Numa carta ao superior geral dos jesuítas, Peter-Hans Kolvenbach (em www.redescristianas.net/2007/03/14), Sobrino recusa assinar a notificação, por não se reconhecer na leitura que é feita dos livros. Acrescenta que seria "uma falta de respeito para teólogos por ele consultados previamente e que não encontraram qualquer "erro doutrinal ou afirmação perigosa". Um dos colegas consultados, Bernard Sesboué, dizia que uma carta da congregação a Jon Sobrino, de 2004, era "tão exagerada que não tem valor". E acrescenta: "Com este método deliberadamente desconfiado, eu também podia ler heresias nas encíclicas de João Paulo II!".
Na mesma carta, Sobrino cita vários comentários aos seus livros do então cardeal Joseph Ratzinger - o agora Papa Bento XVI, que autorizou a notificação da CDF. Mas, no entender do teólogo da libertação, o cardeal citou erradamente várias passagens. Esses excertos serviriam, mesmo, para condenar determinadas perspectivas da teologia da libertação, em dois documentos sobre o tema publicados pela CDF, então presidida pelo agora Papa.
Na mesma carta, Sobrino conta que quando Alfonso López Trujillo foi nomeado cardeal, afirmou "num grupo que ia acabar com Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Ronaldo Muñoz e Jon Sobrino". De uma forma ou de outra, todos estes teólogos tiveram problemas com o Vaticano. No caso de Sobrino, o próprio conta que desde 1975 que teve que responder a várias interpelações do Vaticano. Até chegar a esta notificação.
10 March, 2007
No Público de sexta, saiu a notícia da nomeação do novo bispo do Funchal. Depois do Porto, há duas semanas, a diocese madeirense tem também um novo responsável, que terá um desafio essencial: desfazer a imagem de conivência entre os poderes político e religioso. A notícia, assinada por Natália Faria, fala do problema.
Novo bispo do Funchal espera manter diálogo adulto” com Alberto João Jardim
O novo bispo de Funchal, D. António Carrilho, prometeu ontem pautar as suas relações com Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, pelos princípios da “autonomia e cooperação”. “Estou convencido que haverá um diálogo maduro e adulto. Tendo as pessoas consciência daquilo que lhes compete, penso que não haverá dificuldades”, declarou aos jornalistas, no Paço Episcopal do Porto, onde foi bispo auxiliar nos últimos oito anos. Dizendo que uma das prioridades quando pisar a Madeira será recensear-se no Funchal, António Carrilho lembrou que só assumirá o novo cargo a 19 de Maio, já com o próximo acto eleitoral realizado. E, porque “as eleições não dizem directamente respeito ao bispo”, prometeu acatar as regras democráticas. “Se o povo elege alguém, assume essa responsabilidade e temos que respeitar essa decisão”. Quanto às críticas de quem acusa a subserviência da Igreja Católica relativamente ao Governo Regional da Madeira, D. António Carrilho escudou-se no desconhecimento. “Só depois de lá chegar poderei dizer se há ou não subjugação, mas estou convencido que os princípios de autonomia que me norteiam são os mesmos do bispo que lá está”. O melindre da relação entre Igreja e Governo Regional pode ter sido uma das razões para a dificuldade em encontrar sucessor para D. Teodoro Faria, o actual bispo: nos meios eclesiásticos, sabe-se que houve pelo menos um convidado para o lugar – Samuel Ornelas, actual responsável máximo dos Padres Dehonianos – que recusou a hipótese, tendo em conta também o cargo internacional que ocupa. Com 64 anos e origens algarvias, António José Cavaco Carrilho vai substituir Teodoro Faria, que atingiu o limite de idade. Durante doze anos exerceu actividade pastoral em Faro, depois em Lisboa. Em Fevereiro de 1999 foi nomeado bispo auxiliar do Porto. Aos que o rotulam como ortodoxo e apagado, D. António responde com um encolher de ombros. “Se for ortodoxo no sentido de que sou fiel ao evangelho sem preocupações de protagonismo, até considero um elogio”, reagiu, dizendo-se “perseverante no meio do povo” e avesso ao mediatismo. Uma característica que poderá ser-lhe útil enquanto bispo de origem continental num arquipélago onde a crispação política se alia ao problema da pedofilia. Sobre esta questão, declarou preferir “ter nas mãos elementos concretos para poder fazer juízos”. “Sei que esse problema existe na Madeira, como existe cá [no Continente], e merece-nos condenação, sem condenar as pessoas em si mas apontando comportamentos digno de pessoas humanas e de respeito pelos mais frágeis”, declarou.
26 February, 2007
O cardeal Justin Rigali saiu à busca de novas audiências nesta Quaresma, oferecendo comentários semanais ao Evangelho no site de intercâmbio de vídeos «You Tube». O arcebispo da Filadélfia, Estados Unidos, enviou seu primeiro vídeo de dois minutos e meio na Quarta-Feira de Cinzas. No vídeo, titulado «Viver a Quaresma: Primeiro Domingo», o cardeal de 71 anos explica os benefícios do jejum, comenta o Evangelho do Domingo e convida os ouvintes a unir-se a um grupo de estudo da Bíblia.
Donna Farrell, porta-voz da Arquidiocese, disse ao «Philadelphia Inquirer» que o cardeal Rigali «não sabia nada do ‘You Tube’» até que sua equipe lhe propôs experimentá-lo. «Ele disse: ‘Devemos fazer tudo que possamos para chegar a mais pessoas, aonde elas estão’. Ele nos disse repetidamente: ‘Estamos na evangelização. Saiamos. Temos de ir a qualquer parte’», disse Farrel ao diário. A porta-voz disse que o cardeal prevê continuar enviando mensagens ao longo da Quaresma. No momento da publicação desta notícia, o vídeo foi já visto por cerca de seis mil pessoas, foi situado 17 vezes como favorito, e suscitou vários comentários.
(Fonte: Agência Zenit.org)
25 February, 2007
No Público de hoje, publiquei um perfil do novo bispo do Porto, D. Manuel Clemente.
Pacificador, homem de consensos, afectivamente próximo. Historiador, leitor compulsivo, sempre pronto para um bom debate. Devotado ao diálogo entre a Igreja e a cultura, com um percurso dentro de estruturas eclesiásticas – seminário, Universidade Católica Portuguesa (UCP) – mas em permanente contacto com meios académicos e culturais não católicos. Manuel Clemente, 58 anos, foi nomeado quinta-feira para bispo do Porto.
Até agora a desempenhar o cargo de bispo auxiliar de Lisboa, Manuel José Macário do Nascimento Clemente nasceu em 16 de Julho de 1948. Antes de decidir ingressar no seminário, em 1973, Manuel Clemente tinha já concluído a licenciatura em História na Faculdade de Letras de Lisboa.
Os dois apelos – a historiografia e o catolicismo – acabariam por coincidir no seu percurso de investigador, iniciado com a defesa da tese em Teologia Histórica. Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal – A ‘Sociedade Católica’ (1843-1853) era o título da sua dissertação, entretanto publicada (ed. UCP).
Com um percurso eclesial feito essencialmente em instituições ligadas ao ensino – o Seminário Maior de Cristo-Rei, nos Olivais (Lisboa) e a Faculdade de Teologia da UCP – D. Manuel tem agora, pela frente, um desafio maior: o de dar uma nova dinâmica pastoral a uma diocese adormecida à sombra do passado.
A cátedra episcopal do Porto tem, na sua história, uma lista de grandes nomes, como António Barroso ou António Ferreira Gomes. Este último, condenado ao exílio por Salazar durante a década de 60, acabou por deixar uma imagem do homem intelectual, extremamente culto (é dele, por exemplo, o prefácio dos Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner), mas que não conseguiu gerir da melhor forma a relação com alguns padres e a organização da acção da Igreja.
Manuel Clemente sucede, agora, a D. Armindo Lopes Coelho, que atingiu os 75 anos (data canónica para a saída) e se encontra hospitalizado. O novo bispo do Porto, que tomará posse a 25 de Março, recupera essa dimensão de relação com a cultura e os meios académicos que ficou ligada à personalidade de Ferreira Gomes. Não por acaso, Manuel Clemente é, desde 2002, responsável da comissão da Conferência Episcopal para a Cultura e as Comunicações Sociais. Na Rádio Renascença e no programa Ecclesia, da RTP 2, mantém desde há anos uma presença regular.
A comparação com Ferreira Gomes não o assusta, como dizia ontem ao PÚBLICO: “Passaram 50 anos e a atenção à cultura continua a ser fundamental. Terei muita gente que pensa e escreve a ajudar-me. Não será difícil ler os sinais dos tempos e estar atento à realidade.”
Para o seu governo, o novo bispo tem, para já, uma prioridade: “Conhecer, amar e servir” a diocese, onde vivem mais de dois milhões de pessoas, dos quais 98 por cento se consideram católicos mas em que a média de pessoas que vai à missa está pouco acima dos 20 por cento. Apesar desta taxa, o número de baptizados (quase 17 mil, dados de 2004) e de casamentos pela Igreja (quase 7500) continua a ser dos mais elevados entre as dioceses portuguesas.
Com uma grande diversidade social e geográfica – mais urbana na faixa litoral, mais rural e desertificada em zonas como Arouca, Baião ou Castelo de Paiva – a diocese tem quase 400 padres a trabalhar em 477 paróquias agrupadas em 34 vigararias (equivalentes aos concelhos civis). Além da vastidão e diversidade sócio-religiosa da diocese – “equivalente a Lisboa”, diz o próprio – Manuel Clemente enfrenta outro desafio importante: conseguir impor decisões e restabelecer a unidade num clero dividido em grupos onde, por vezes, o que conta mais são fidelidades antigas ou uma espécie de estratificação eclesiástica, tendo em conta os títulos canónicos.
A capacidade do novo bispo para o diálogo e o consenso, a sua “proximidade afectiva” – a expressão é do director da Faculdade de Teologia da UCP, Peter Stilwell – podem ser trunfos de Manuel Clemente na nova tarefa que tem pela frente.
Cultura e capacidade intelectual continuarão a ser pontos que o distinguem. A paixão pela História traduz-se nas várias obras já publicadas: além da tese, onde estuda aquela que foi a primeira tentativa, em Portugal, de organização de apostolado católico autónomo da hierarquia eclesiástica, também outras como Igreja e Sociedade Portuguesa do Liberalismo à República (ed. Grifo) consubstanciam a sua atenção prioritária ao século XIX, tempo em que a Igreja Católica deixou de dominar o espaço público.
Também a religiosidade popular tem sido objecto da investigação de Manuel Clemente, padre desde Junho de 1979 e bispo auxiliar de Lisboa desde Janeiro de 2000. No patriarcado, foi ele o responsável directo pela organização do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, cuja sessão de Lisboa decorreu em Novembro de 2005.
Na sua primeira saudação, D. Manuel incluía todos os crentes de outras confissões e todas as instâncias públicas e sociais (incluindo desportivas) da diocese.
Em Abril de 2005, a propósito da eleição do novo Papa Bento XVI, dizia: “A Igreja preza muito uma consciência bem informada que tenha capacidade de decisão, e nesse santuário da consciência a Igreja não se mete, mas não pode prescindir de dar à consciência de cada um todos os elementos da questão, até em nome da humanidade total que a Igreja defende.”
1 February, 2007
Chega agora a Portugal o documentário "O Grande Silêncio", de Philip Gröning, sobre os monges da Cartuxa, que, contra todas as previsões, está a ser um (relativo) sucesso de bilheteira em França. Fica a apresentação feita pelo site da Renascença . Caso o leitor vá ver, pode partilhar aqui as suas impressões.
"Entre num local envolto em mistério e silêncio

Os momentos de silêncio podem ser raros no seu dia-a-dia.
Mas já imaginou como será viver num local onde a palavra é a excepção?
O Grande Silêncio é um documentário sobre os Monges da Ordem da Cartuxa, filmado na Grande Chartreuse, nos Alpes franceses.
Depois de 17 anos a tentar fazer este documentário, o realizador Philip Gröning finalmente conseguiu autorização para filmar dentro do mosteiro.
O resultado são as filmagens de 6 meses a acompanhar os rituais diários dos Monges da Cartuxa.
Um privilégio que Philip demorou mais de uma década a conquistar e que agora chega até si através da Renascença.
Prepare-se para subir aos Alpes franceses, acompanhar a passagem do tempo num mosteiro onde reina o silêncio e descobrir por que é que este documentário foi tão premiado.
O Grande Silêncio foi considerado o Melhor Documentário no European Film Awards, recebeu o Prémio especial do júri no festival de Sundance e foi também o Melhor Documentário nos Bavarian Film Awards".
Textos do jornal La Croix sobre o filme:
- Une expérience unique d’intériorité
- "J’ai voulu que ce film devienne une expérience", entrevista com o realizador
- L’incroyable succès du Grand Silence.
22 January, 2007

L’Abbé Pierre en dates (1912-2007)
1912
Naissance d’Henri Grouès à Lyon (Rhône), le 5 août
1931
Renonce par acte notarié à sa part du patrimoine familial et distribue ce qu’il possède à diverses œuvres de charité. Entre chez les Capucins, mais renonce cinq ans après à cette voie.
1938
Ordination sacerdotale le 14 août.
1941
Dès le lendemain de la rafle du Vel’ d’Hiv à Paris, l’Abbé Pierre accueille des Juifs rescapés d’une première rafle en zone libre.
1942-44
Clandestinité : il participe à la résistance, crée des maquis en Chartreuse et dans le Vercors, qui deviendront une partie de "l’Armée du Vercors". Il prend le nom d’Abbé Pierre dans la clandestinité.
1943
Mai : Arrestation par l’armée allemande à Cambo-les-Bains (Pyrénées).
Evasion, par la traversée de l’Espagne et départ de Gilbratar vers Alger.
17 juin : première rencontre avec le Général de Gaulle, à Alger.
1945-51
Député apparenté MRP de Meurthe-et-Moselle.
Président du Comité Exécutif du Mouvement Universel pour une Confédération Mondiale.
1949
Avec André Philippe, Député, il dépose un projet de loi tendant à reconnaître l’objection de conscience. Il entreprend la construction (souvent illégale) de logements pour familles sans-abri et accueille chez lui un homme désespéré, Georges : cet événement marque la fondation de la première communauté des chiffonniers d’Emmaüs (Neuilly-Plaisance).
1954
Une femme puis un bébé meurent de froid en janvier et en février. L’Abbé lance un appel sur les ondes de RTL : c’est "l’insurrection de la bonté" à Paris et en province. Lors de cet hiver de froid terrible, l’Abbé Pierre demande au Parlement un milliard de francs, qui lui est d’abord refusé. Trois semaines plus tard, le Parlement adopte à l’unanimité non pas un, mais dix milliards de crédits pour réaliser immédiatement 12 000 logements d’urgence à travers toute la France, pour les plus défavorisés.
Fondation de la revue Faims et Soifs, de la S.A. HLM Emmaüs, de l’Union nationale d’aide aux sans-logis qui deviendra la Confédération Générale du Logement (association de locataires), ainsi que de l’Association Emmaüs de Paris.
1958
Victime de surmenage, délègue tous ses pouvoirs pour la direction d’Emmaüs et retrouve l’anonymat
1969
Première assemblée générale d’Emmaüs International à Berne (Suisse), qui adopte le Manifeste Universel du Mouvement Emmaüs.
1981
L’abbé Pierre est fait Officier de la Légion d’Honneur, au titre des Droits de l’homme.
1984
Lancement de la Banque Alimentaire en France, par Emmaüs, le Secours Catholique et l’Armée du Salut.
1985
Constitution d’Emmaüs France qui rassemble toutes les composantes d’Emmaüs en France.
1987
Décembre : Commandeur de la Légion d’Honneur, pour son action dans le domaine du logement.
1988
Création de la Fondation Abbé Pierre pour le logement des Défavorisés, reconnue d’utilité publique en 1992.
1989
Film Hiver 54, de Denis Amar
1991
Pentecôte : jeûne à l’église Saint-Joseph de Paris, avec les "déboutés du droit d’asile" qui font une grève de la faim dans l’indifférence générale.
1994
Publie Testament
1996
Son soutien à son "vieil ami" Roger Garaudy, auteur d’un livre révisionniste, suscite une polémique. L’abbé fera machine arrière et en juillet, dans La Croix, il demande pardon à ceux qu’il a pu blesser
2001
Remise des insignes de Grand Officier de la Légion d’Honneur par le Président de la République.
2004
Classé en tête des personnalités préférées des Français, obtient à sa demande de ne plus figurer dans le sondage IFOP-JFDD
2005
Publie Mon Dieu… pourquoi ?
2007
Décès de l’Abbé Pierre le 22 janvier.
Source : site de la Fondation Abbé Pierre