Encontro inter-religioso em Nápoles
Uma escrita de fogo, os livros do irmão Roger de Taizé
Sexta-feira, no Público, dei conta de alguns livros que foram publicados nos dois últimos anos em Portugal, do ou sobre o irmão Roger de Taizé. Dois deles saíram antes do Natal e são o pretexto para uma chamada de atenção para esta pequena biblioteca de Taizé que começa a surgir (finalmente!!) em Portugal.
Uma escrita povoada com palavras de fogo. O irmão Roger, fundador da comunidade monástica de Taizé (França), foi uma personalidade invulgar no cristianismo contemporâneo. Jovem pastor protestante, decidiu iniciar uma experiência comunitária de monges, uma tradição longínqua do protestantismo. O acolhimento de jovens, a forma de rezar esteticamente bela, a atenção ao sofrimento das pessoas e dos povos são apenas algumas das marcas de água da comunidade que, ao fim de poucos anos, se alargou a monges oriundos do catolicismo, convertendo-se numa experiência ecuménica.
Roger Schutz, de seu nome de baptismo, acabou por se revelar também um autor límpido, cujos textos marcam profundamente quem o lê. Os seus textos, as orações que escrevia, as cartas anuais que serviam para a reflexão de muitos cristãos à roda do mundo constituem hoje um dos patrimónios mais ricos do cristianismo contemporâneo. Uma escrita de fogo, mesmo quando fala das dúvidas e das noites da fé: “na tua escuridão acende-se um fogo que nunca se apaga. Tu, que gostarias de ser portador de um fogo, mesmo nas noites da humanidade, deixarás crescer em ti uma vida interior que não tem princípio nem fim? Ela é uma terra de fogo.”
Para variar, quase não se conheciam textos do irmão Roger em Portugal, até há pouco tempo. A situação começou a mudar com a realização do encontro europeu de jovens em Lisboa, há dois anos (o último em que o fundador de Taizé participou) e, depois, a com a notícia da sua morte, às mãos de uma mulher perturbada, em Agosto de 2005.
Dois novos livros acabam de ser publicados, para poder começar a construir uma pequena biblioteca de Taizé: “Oração: Frescura de uma Fonte”, com textos do irmão Roger e de Madre Teresa de Calcutá (ed. Paulus, 9,90 €); e “Irmão Roger de Taizé”, uma biografia (de Christian Feldmann, ed. Paulinas, 11 €). Este último apresenta uma síntese do percurso pessoal deste místico contemporâneo, acompanhada de fotografias (várias delas, sobretudo as da juventude, pouco conhecidas) e de uma selecção de textos do irmão Roger. “Palavras de Confiança” é o título desse capítulo, acertando com uma das palavras-chave da vida do fundador de Taizé. “Se a confiança do coração estivesse no princípio de tudo… irias longe, muito longe.”
Esta obra vem somar-se a outras duas biografias saídas recentemente: “A Vida do Irmão Roger”, de Kathryn Spink (ed. AO – Apostolado da Oração), é um texto original que apresenta traços e histórias até aqui desconhecidas na vida do fundador de Taizé e da própria comunidade; “Taizé Um Sentido Para a Vida” (ed. Paulus), do teólogo ortodoxo francês Olivier Clément faz uma leitura singular do significado profundo de Taizé, não só em termos eclesiais como sociais.
Os outros textos publicados recentemente são “O Seu Amor é um Fogo” (ed. Paulistas) e “Deus Só Pode Amar” (ed. Gráfica de Coimbra), obras do irmão Roger. E ainda dois outros livros do irmão John, sobre temas bíblicos, a especificidade deste membro da comunidade: “À Beira da Fonte – Jesus e a Samaritana” e “A Caminho da Terra da Liberdade – Uma Releitura dos Dez Mandamentos”. E que releitura! A Bíblia aparece, aqui, como água fresca e limpa, como poucas vezes temos oportunidade de ler em português. Vale a pena cair em tentação e ler.
Caminhos de confiança para a Europa
A comunidade de Taizé animou, nos dois últimos dois dias, em Bruxelas, vários encontros de oração e debate sobre o tema "Abir caminhos de confiança para a Europa". Esteve presente o irmão Aloïs, actual prior. A iniciativa realizou-se a convite da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia. Taizé continua a ser uma comunidade profética, falando de confiança. "E se no início de tudo estivesse a confiança do coração?", perguntava o irmão Roger.
Aproximação de católicos e ortodoxos na agenda turca de Bento XVI
Sobre o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, escreve-se no Destaque de domingo do Público:
O objectivo número um da viagem do Papa Bento XVI à Turquia é a aproximação com a Igreja Ortodoxa, da qual o patriarca Bartolomeu I é o primus inter pares. Uma declaração comum será assinada pelos dois líderes religiosos no dia 30, quinta-feira, naquele que será mais um passo na aproximação mútua de duas igrejas, separadas formalmente desde 1054 – há quase mil anos. (…) A viagem “terá um grande significado para o diálogo entre a Igreja Católica e a ortodoxia”, afirmou o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone. (…) Líder espiritual dos perto de 200 milhões de ortodoxos do mundo inteiro, Bartolomeu convidou o Papa para aquela que é a festa mais importante do patriarcado, a festa de Santo André. De acordo com a tradição, foi este discípulo, um dos mais doze apóstolos seguidores de Jesus, o primeiro a anunciar o evangelho na cidade. Mesmo se é simbolicamente importante, não se espera que o encontro traga novidades importantes ao processo de aproximação mútua. A divergência maior – o primado do Papa – está longe, ainda, de ser resolvida.
Diálogo Vaticano-Igreja Ortodoxa Russa é necessário, diz núncio
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A notícia é de sábado. O núncio apostólico do Vaticano na Rússia disse, na assembleia dos bispos católicos, que o diálogo com a Igreja Ortodoxa é necessário. Um recado claro numa altura em que todas as vozes do Vaticano – incluindo Bento XVI – aparecem a manifestar-se pelo degelo entre católicos e ortodoxos na Rússia. Vale a pena registar o que conta a Asia News: Nuncio in Russia: dialogue with Orthodox a must At the closing of the plenary session of the Conference of Catholic Bishops, Mgr Mennini made a call for ecumenism, “fulfillment of Christ’s will to unity among Christians”. Saratov (AsiaNews) – The Apostolic Nuncio in Russia, Mgr Antonio Mennini, has once more emphasised the importance of Orthodox-Catholic dialogue. He was speaking yesterday at the close of the 23rd plenary session of the Conference of Catholic Bishops of Russia. “Ecumenical activity is not just a choice made by certain clergymen, but the fulfillment of Christ’s will to unity among Christians,” said the Vatican representative.The Conference’s general secretary, Fr Igor Kovalevsky, said participants of the plenary had paid particular attention to inter-confessional and inter-religious dialogue. |
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