21 October, 2007
No Público de domingo, dia 21, frei Bento Domingues debate a religião em Portugal, a partir de dois textos recentes da sociologia. A religiosidade em Portugal está em mudança, mas contrasta com a evolução espanhola.
1. Para perceber a evolução religiosa dos portugueses, não basta ter em conta as promessas de Fátima. O recurso às investigações dos sociólogos é preferível aos palpites e às observações puramente subjectivas. Millán Arroyo Menéndez, da Universidade Complutense de Madrid, aventurou-se a opinar sobre “Religiosidade e valores em Portugal: comparação com a Espanha e a Europa católica” (1). Sem pretender circunscrevê-lo neste espaço, permito-me alguns destaques.
Por falta de indicadores acerca das outras religiões, o grau de proximidade ou de distanciamento da população portuguesa em relação às crenças, práticas e identidades toma, apenas, por referência, a Igreja católica. Servem-lhe de enquadramento os países da Europa Ocidental de ampla maioria católica: Áustria, Bélgica, Espanha, França, Itália, Irlanda e Polónia. Dá especial atenção à Espanha, pelo facto de partilhar com Portugal afinidades históricas, políticas, económicas e culturais. Isto irá permitir que as diferenças, em termos de religiosidade e valores, sejam mais nítidas.
Na abordagem de temáticas tão complexas como são as identidades, as crenças, os valores e as sensibilidades, a aproximação quantitativa não é a mais adequada, embora, nesse artigo, seja a mais presente.
No âmbito das crenças, os portugueses situam-se, em geral, acima dos austríacos, belgas, espanhóis e franceses, à excepção da crença na vida depois da morte, da qual duvidam bastante. Tendo em conta várias comparações, chega à conclusão de que, entre nós, a ideia de um Deus pessoal continua a ter muita força, embora com uma intensidade algo inferior, mas parecida à observada na Polónia e claramente superior à da Irlanda e da Itália. Os traços que caracterizam a religiosidade portuguesa seriam os seguintes: uma elevada confiança na instituição eclesiástica; uma alta identificação religiosa com o catolicismo; uma prática religiosa não tão elevada como a sua identidade católica – embora superior à média dos oito países observados – expressa mais na oração individual do que na assistência à missa; um elevado nível de crença em Deus, claramente relacionado com o Deus pessoal da tradição católica, embora mantendo, em simultâneo, mais cepticismo do que fé nas crenças do além.
2. A religiosidade em Portugal está em mudança, mas contrasta com a evolução espanhola. Enquanto que, entre nós, verificamos a transição de uma religiosidade mais forte para uma mais intensa, em Espanha, a mudança religiosa – em termos de secularização – encontra-se num estádio mais adiantado: vai-se passando de uma religiosidade light para a saída da religião de Igreja ou da religião institucional. O que muda essencialmente, em Espanha, é a intensidade e a velocidade com que a população se afasta da Igreja e dos aspectos relacionados com a dimensão institucional da religiosidade. Pelo contrário, Portugal é o país mais ligado a essa instituição em toda a Europa. Esta tendência, relativamente recente em Espanha, não só não foi ainda detectada em Portugal, como não há indícios de que venha a acontecer num curto ou médio prazo.
Não cabe, neste apontamento, identificar as causas que explicam as importantes diferenças observadas nos níveis de religiosidade de Espanha e de Portugal. Para o autor, a principal causa está nos diferentes graus de modernização cultural de ambos os países, presentes no processo histórico e social, onde os valores, as crenças, as atitudes e os comportamentos são orientados por escolhas individuais e menos dependentes da tradição e das instituições. A doutrina da Igreja opõe-se, hoje, a determinados valores e comportamentos assumidos no seio de mentalidades modernas, por exemplo, no campo da sexualidade, mas também noutros, como o divórcio, a bioética, a eutanásia, a homossexualidade, os novos modelos familiares, etc.
A tese de M. Arroyo Menéndez é simples: as fricções vão-se agravando à medida que a sociedade avança em direcção a uma constelação de valores, crenças e sensibilidades, não especificamente religiosos, a que a Igreja se opõe porque os considera negativos. Nos outros países, isto conduz ao progressivo abandono da religião católica. Acerca deste ponto, o autor não dispõe de investigação que lhe permita saber o está a acontecer em Portugal. Sobre o que está a acontecer entre os jovens, nomeadamente, no distrito de Braga, Eduardo Duque conclui o seu importante estudo com estas palavras: “Apesar desta ‘crise’ das instituições, a Igreja de Braga conserva ainda uma maioria de jovens, não obstante o facto de irem dando sinais de uma certa desvalorização da mediação eclesial e da frágil observância das suas orientações” (2).
Não foi considerada a diferença entre a ostensiva beligerância do episcopado espanhol e a atitude dialogante do episcopado português. Esta talvez não seja indiferente à “elevada confiança na instituição eclesiástica” que os sociólogos notam em Portugal.
(1)Análise Social, vol. XLII (184), 2007, 757-787.
(2)Os Jovens e a Religião na Sociedade Actual, Instituto Português da Juventude, 2007.
22 March, 2007
Através do blogue de Isabelle de Gaulmyn, jornalista correspondente de La Croix em Roma, tomei contacto com a continuidade do debate sobre as proposições de Bento XVI, sobre a fé e a razão, aquando do seu discurso em Ratisbona, em Outubro último. No mês passado, em artigo publicado num jornal suiço de expressão alemã, o filósofo Jurgen Habermas, que já em 2004 tinha protagonizado um debate com o então cardeal Ratzinger, apontou algumas críticas que segundo ele, o discurso do papa lhe suscitava. A resposta, curiosamente, acabou por chegar do cardeal e teólogo Ruini, que recentemente deixou a presidência da Conferência Episcopal Italiana.
Os documentos de referência para este debate são os seguintes:
18 March, 2007
Na edição de hoje do Público, sai uma reportagem que escrevi sobre um projecto do Serviço Jesuíta aos Refugiados que, com a participação de uma actriz imigrante, envolve 40 estabelecimentos de ensino; o objectivo é sensibilizar os alunos para a questão das migrações. Uma gala do projecto decorre hoje à tarde no Colégio São João de Brito, em Lisboa.
E a mussaca? Ah, a mussaca! Alguém sabe como se cozinha a mussaca? "Pega-se numa cebola e corta-se cebola aos pedaços - tac, tac, tac. Nem muito grandes nem muito pequenos. Pega-se numa panela com bocadinho de óleo. Põe-se cebola no óleo e faz-se um refugiado. Perdão, um refogado." Primeiros risos.
Natasha Marjanovic, actriz sérvia (ex-jugoslava, corrige, mas já lá vamos) há sete anos radicada em Portugal, está numa turma de 10.º ano do colégio St. Peters, em Palmela, a participar numa acção de sensibilização sobre os imigrantes. Ao fim de hora e meia, os alunos são surpreendidos com a troca: a "técnica de uma empresa de inquéritos", como Natasha se apresentara, deu lugar à actriz que passa receitas culinárias, encena o cozinhado, toca acordeão e põe alunos a dançar.
A receita da mussaca, prato típico sérvio, continua (ver caixa). Antes de desvendar quem é, Natasha pega num acordeão. Cresce a perplexidade dos alunos. Um convite: "Vou ensinar uma dança tradicional." Cristina Pessanha, que integra o projecto Bem-Vindos à Nossa Terra, dança com dois alunos. "Um dia vão embora os pássaros/ e as ruas vão ficar sem sol./ Um homem vai despedir-se de uma mulher/ e muito tempo, no vento, vai ficar sozinho."
A iniciativa é do JRS - Serviço Jesuíta aos Refugiados, organização ligada aos padres da Companhia de Jesus. No início, Cristina explica, com imagens: "190 milhões de pessoas residem num país diferente daquele em que nasceram." "Eu sou um deles", ouve-se do fundo da sala. Pedro, 15 anos, nasceu em França quando os pais lá trabalhavam.
Natasha bate à porta, pergunta se é ali a aula sobre migrações. "Sou da empresa Igualdade Para Todos, falei com o professor." Sim, sim. Alguns risos - o sotaque? -, mas não se pressente desconfiança. Chama-se "teatro de infiltração" e envolve 40 escolas das regiões de Lisboa, Porto e Setúbal. "Pensam que estou a fazer entrevistas", explicara antes a actriz. "Eu vou interrompendo, troco o nome à Cristina, só no fim a dúvida acaba."
Bombas em Belgrado
Cristina passa os slides do computador. As origens das migrações podem ser várias. Alguns alunos intervêm. Há guerras, pessoas discriminadas. Primeira interrupção: "Eu, por exemplo, venho de um país de leste, onde dominava um regime comunista. Lembro-me de me terem levado de noite para baptizar. No Natal, só havia almoço melhorado em casa da avó, como se fosse um encontro casual."
Variam as formas das migrações. Voluntárias, forçadas, legais, ilegais. "Eu sou refugiada? Tinha de ter provas. Em 2004, 105 pessoas pediram asilo em Portugal. Quantas tiveram? Duas. Em 2005 já mudou tudo: cinco conseguiram. Tem que ter prova. Eu estava em Belgrado quando houve bombardeamentos da NATO. Tinha de ir pedir: "Senhor, assine aqui, para eu ter prova de que está a bombardear."" Os alunos entram no jogo, riem, acenam, a perturbação inicial dá lugar à participação.
Natural de Sarajevo, na Bósnia, filha de pais sérvios, Natasha casou com um croata. Com a guerra, marido e irmão ficaram em campos opostos. Por isso, diz que é de um país que já não existe: a Jugoslávia. Fugiu para casa dos pais em Belgrado, as bombas empurraram-na para Portugal.
Os imigrantes são contribuintes e têm direito a ir a um centro de saúde, mesmo ilegalizados. "Porque é tão difícil legalizar?" - pergunta Pedro. Natasha já centra a discussão: "Há gente que não existe, não tem documentos." Maria, muito activa, pergunta como chega comida aos refugiados. A Europa, recorda uma frase de Kofi Annan no ecrã, não está a cumprir os seus deveres: África é o continente que mais protecção dá aos refugiados. Portugal tem pouco mais de 400 mil imigrantes; espalhados pelo mundo, há 4,5 milhões de portugueses. "É razão para respeitarem dez vezes mais os imigrantes." E não respeitamos? "Não oferecem ajuda à primeira, mas depois fazem tudo o que se pede." A resposta de Natasha recorda os primeiros três dias de solidão. Quebrada por um cesto de cerejas do senhor Joaquim.
Natasha gosta do país que a acolhe: "Vocês têm um país bonito, não dão valor, eu fiquei porque estou nove meses com sol." A mussaca, a dança, a campainha para o final da aula. Pouco antes, diria o que não gosta em Portugal, que reparou por causa da escola das filhas: "Não lêem Tolstoi, não lêem nada. Leiam, leiam."
A dança terminava assim: "Um dia cada um vai atrás da sua vida/ no fim, só, o coração diz:/ eu vou voltar!/ Agora, adeus./ E quem sabe quando…/ E quem sabe onde…"
Mussaca para quatro pessoas
A mussaca precisa de 1 kg de beringelas, 400 gramas de carne picada, duas cebolas grandes, dois dentes de alho, queijo ralado e molho bechamel (ou um iogurte natural e três/quatro ovos batidos). Enquanto se faz o refogado (ver texto principal), está outra panela a "fazer glu glu - o que é isto? Água a ferver, à espera de quê? Da beringela."
"Pegas na beringela e pluc, colocas dentro dessa água, em cima da cebola. Pegas na carne picada, de qualquer animal que encontres no caminho, juntas sal, pimenta e pegas numa travessa grande, para toda a gente comer. Quanto mais gente houver, mais saborosa é a mussaca. Colocas uma camada de beringela, outra de carne picada, uma de beringela, outra de carne, outra de beringela. Abres o forno, colocas a mussaca e não perdes tempo: três, quatro ovos, iogurte natural, um bocadinho de sal. Abres o forno, regas a mussaca, devolves ao forno. Ah!, já cheira a mussaca!"
O projecto Bem-Vindos à Nossa Terra tem hoje um ponto culminante com uma gala que inclui uma peça encenada por Natasha Marjanovic. É no Colégio S. João de Brito, em Lisboa, a partir das 17h00 (entrada livre).
10 March, 2007
Na edição de hoje, sábado, do Digital, o novo suplemento do Público, escrevi um texto sobre um acordo com o Google para digitalizar os fundos de cinco bibliotecas catalãs - entre elas, a da Abadia de Montserrat. A abadia está a iniciar a preparação das comemorações do seu milénio, que se completa em 2025. O texto é o que se segue:
O fundo da biblioteca da Abadia de Montserrat (um dos mais antigos mosteiros católicos do mundo), próximo de Barcelona (Espanha), irá ser digitalizado e ficará disponível para os utilizadores do motor de busca de livros do Google (www.google.es/books). Sendo um projecto a longo prazo, prevê-se que dentro de dois anos várias obras estejam já disponíveis para os interessados, quer através do Google, quer da página www.bibliotecademontserrat.net.
O acordo, que permitirá o acesso a 330 mil volumes, inclui outras quatro instituições: a Biblioteca da Catalunha, que coordenará o projecto, a Biblioteca Pública Episcopal do Seminário de Barcelona e as do Ateneo Barcelonês e do Centro Excursionista da Catalunha. A sua concretização significa que estas instituições passarão a ser o segundo parceiro do Google-livros fora do universo anglosaxónico – o outro é a Universidade Complutense de Madrid.
Em declarações ao Digital, o padre Damià Roure, responsável pela biblioteca de Montserrat, sublinha precisamente a importância de “permitir aos leitores não anglófonos a leitura de livros em outras línguas europeias”, como catalão, alemão, castelhano, francês e latim, além do inglês. “Até agora, só as grandes bibliotecas americanas e a de Oxford”, no Reino Unido, participavam neste projecto. Os acordos com a Complutense e as cinco bibliotecas catalãs permitem ampliar o universo linguístico.
Entre as obras que ficarão disponíveis na Internet, Damià Roure destaca o Llibre Vermell de Montserrat, um manuscrito que reúne cânticos do próprio mosteiro, composto à volta de 1400, e do qual foram gravadas várias peças por músicos como Jordi Savall ou o Ensemble Micrologus. O manuscrito (cujos fólios se podem ver em www.lluisvives.com/servlet/SirveObras/jlv/08140629733581728654480/) “é o melhor expoente do scriptorium medieval” de Montserrat, diz o padre Roure. Há ainda diversos incunábulos, impressos na tipografia do mosteiro, que começou a funcionar em 1499 por impulso do abade García de Cisneros.
Na biblioteca, estão também depositadas obras clássicas em castelhano e francês – por exemplo, Miguel de Cervantes – e vários fundos sobre o Oriente antigo, o mundo clássico, a Bíblia ou temas de história. Ramon Llull, uma das mais importantes figuras da religião e da cultura catalãs, marca também presença. Místico e viajante, teólogo e poeta, filósofo e arabista, Llull (1232-1316) era um adepto do uso da razão e foi nesse sentido que escreveu a sua Ars Maior, que pretendia ser a obra enunciadora de todas as áreas da ciência.
A maior parte dos fundos antigos mais importantes que havia na biblioteca perderam-se no incêndio de 1811, durante as invasões napoleónicas. Conta o padre Damià Roure que, de acordo com o relato de Vargas Ponce, ilustre visitante de Montserrat, em 1799 havia 158 manuscritos e incunábulos anteriores a 1500 e uns 8500 livros posteriores a essa data. Nos séculos XIX e XX a abadia adquiriu, além de obras contemporâneas, fundos de outras bibliotecas antigas, entre os quais uma tábua cuneiforme com um vocabulário sumérico-acádico.
Quinhentos mapas antigos, 330 mil monografias, seis mil publicações periódicas, 1500 manuscritos, 400 incunábulos, 3700 obras do século XVI. Em números, é este o resumo da biblioteca de Montserrat. Utilizada diariamente pelos monges, há cada vez mais investigadores a recorrer a ela desde que o catálogo passou a estar disponível na Internet. A biblioteca inclui ainda, no seu fundo, 18 mil gravuras de artistas como Durer, Rembrandt, Rubens ou Goya. Autores catalães de gravuras do século XX são, aliás, o tema de uma das exposições virtuais actualmente visitáveis naquele sítio.
Podem ver-se 207 gravuras de 88 autores. Entre estes, Picasso, Dali ou Miró e representantes de movimentos tão diversos como o modernismo, o vanguardismo, a abstracção. Uma mostra da arte gráfica catalã contemporânea, diz a organização, com “quase todos os nomes imprescindíveis”.
Rochedo espiritual, refúgio político
Situado no cimo de um maciço rochoso a 60 quilómetros de Barcelona, o mosteiro beneditino de Montserrat foi fundado em 1025 pelo abade Oliba. Profundamente ligado à história e à cultura catalã - ali se refugiaram, por diversas vezes, nacionalistas perseguidos -, o mosteiro acabou por se tornar um dos mais importantes lugares de peregrinação de Espanha: ali vão anualmente mais de 2,2 milhões de pessoas. Em 1493, foi eleito como abade o padre García de Cisneros, que ocupou o cargo até morrer, em 1510. A criação da tipografia, o crescimento da biblioteca e a prosperidade que o mosteiro conheceu foram as marcas que deixou, mas Cisneros publicou também várias obras, entre as quais o Exercitatório de la Vida Espiritual, que viria a influenciar o fundador dos jesuítas, Inácio de Loiola, nos seus Exercícios Espirituais. Depois do incêndio da antiga biblioteca em 1811, a actual foi construída a partir de 1918. A comunidade da abadia conta, actualmente, com 80 monges. O seu actual abade, Josep Soler, foi eleito em 2000.
6 February, 2007
O jornalista italiano Sandro Magister dá conta, no seu site, dos dois primeiros volumes de uma obra que revoluciona a leitura da arte sacra italiana (e europeia). O autor desta enciclopédia, um americano que trabalha em Florença, "reescreve a arte sacra", diz Magister na notícia que se transcreve:
En tres grandes volúmenes, dos milenios de arte cristiana narrados por primera vez en su contexto original: la liturgia. El autor de la obra es Timothy Verdon: el historiador de arte que Benedicto XVI quiso junto a él en el último sínodo de los obispos.
El magnífico volumen mostrado más arriba (que tiene en carátula “San Francisco en éxtasis” de Giovanni Bellini, 1470-1480) es el segundo de tres que ilustran el arte cristiana italiana desde sus orígenes hasta hoy: el primer volumen hasta el Medioevo completo; el segundo del 1400 al 1600; y el tercero, que saldrá en el 2007, hasta nuestros días.
En una época en que hay quien tiene temor de construir un pesebre o de levantar una cruz, en que surgen tantas nuevas iglesias privadas de imágenes, una obra como esta era más que necesaria.
Italia, donde está Roma y el papado, es el más extraordinario cofre de arte cristiana que existe en el mundo. Pero es como si se hubiese perdido la llave para poder acceder a sus maravillosos tesoros.
Y estos tres volúmenes quieren ofrecer precisamente la llave para redescubrir, comprender, vivir el arte cristiana, en su luz auténtica.
Un análisis solamente estético del arte cristiana lleva al desvío. El arte cristiano no está hecho para los museos sino para la liturgia. Un retablo puede ser entendido sólo si se ve en conjunto con la eucaristía celebrada sobre ese mismo altar.
Por ejemplo, ¿por qué en tantas iglesias antiguas el altar está flanqueado a un lado por el arcángel Gabriel que anuncia y al otro lado por María que responde el anuncio, con la paloma divina en lo alto al medio?
La respuesta es simple: cada vez que se celebra la misa sobre el altar que está al centro de las tres figuras, se cumple lo que las figuras muestran en imágenes. El Hijo de Dios es anunciado de nuevo y se hace presente realmente entre los hombres “por obra del Espíritu Santo”.
Gracias a la eucaristía celebrada, las tres imágenes toman vida en un modo impensable para quien las mirase abstrayéndose del rito sacramental.
O autor, Timothy Verdon
El autor de esta revolucionaria trilogía – la primera en introducir con fuerza la liturgia como criterio de comprensión del arte cristiano – es un americano que vive en Italia, Timothy Verdon.
Verdon, 60 años, se formó como historiador del arte en la universidad americana de Yale y fue ordenado sacerdote en 1994 en la diócesis de Florencia, donde dirige la oficina para la catequesis a través del arte. Enseña en la universidad de Stanford y en la Facultad Teológica de Italia Central.
Es autor de múltiples libros y ensayos sobre el arte cristiana, de los que www.chiesa ha dado cuenta en varios servicios, con los enlaces respectivos más abajo.
En el último sínodo de obispos, celebrado en Roma en octubre del 2005, dedicado a la eucaristía, Verdon estaba entre los invitados de Benedicto XVI.
Entre él y el Papa Joseph Ratzinger hay una profunda sintonía en la lectura del arte cristiana y en proponerla a los fieles, y en general a los hombres de nuestro tiempo.
No por casualidad Benedicto XVI ha querido dotar el Compendio del Catecismo de la Iglesia Católica – publicado al inicio de su pontificado – con imágenes de arte sacra escogidas por él personalmente.
Los tres volúmenes de los que Verdon es el creador y autor principal – sobre todo del que está dedicado al Renacimiento, el periodo del que él es maestro – están impresos por ahora sólo en idioma italiano. Pero ameritaría que sean traducidos pronto a otros idiomas.
Tienen importancia también fuera del ámbito estrictamente artístico. Escribe Verdon en la introducción al primer volumen:
“En la Europa del aborto legalizado, y que se interroga sobre la admisibilidad de la eutanasia, imágenes típicas de la tradición cristiana como la ‘Virgen con el Niño’ o ‘Cristo en la cruz’ remecen las conciencias, insistiendo con calmada fuerza sobre el valor irrepetible de la vida e incluso de la vida sufriente”.
Estos volúmenes tienen además el objetivo de formar futuros comitentes de iglesias, de pinturas, de esculturas, en suma, de generar una nueva época fecunda de arte cristiana.
Os dois volumes já publicados, cada um deles com centenas de ilustrações:
Timothy Verdon, "L’arte cristiana in Italia. 1. Origini e Medioevo", San Paolo, Cinisello Balsamo, 2005, 400 pág, 99 €;
Timothy Verdon, "L’arte cristiana in Italia. 2. Rinascimento", San Paolo, Cinisello Balsamo, 2006, 400 pág, 100 €.
A AFP trazia, ontem, a notícia de uma "voz original", no interior da Igreja Católica, acerca das uniões de facto: o bispo Guseppe Anfossi, citado pelo La Repubblica, dizia que se devia tomar o exemplo da França, do Pacto Civil de Solidariedade, acompanhado de uma política familiar eficaz:
Un évêque italien a fait entendre une voix originale dans le concert de condamnations de tout projet d’union civile par l’Eglise et souhaité que son pays prenne modèle sur "la France laïque", où l’existence du PACS s’accompagne d’une politique familiale efficace.
"La recherche de solutions sur d’autres formes d’unions (que le mariage) ne serait pas à exclure à priori, à condition que ce soit dans un cadre législatif qui place vraiment au centre les intérêts de la famille", a déclaré l’archevêque d’Aoste (nord), Mgr Giuseppe Anfossi, cité lundi par La Repubblica.
"Il faudrait d’abord faire comme la France, pays notoirement laïque, dont la législation en faveur de la famille peut être prise en modèle", a ajouté le prélat, président de la commission épiscopale italienne sur la famille.
La France, qui a créé en 1999 le Pacte civile de solidarité (PACS) pour les couples non mariés homosexuels et hétérosexuels, est la championne de la natalité en Europe avec deux enfants par femme - contre 1,33 dans la très catholique Italie - grâce notamment à une politique nataliste volontariste.
"Ici, parler de politique familale est presque impossible, presque personne ne semble se préoccuper d’un problème aussi grave que la chute de la natalité", a déploré Mgr Anfossi.
Cependant l’apparente ouverture de l’évêque d’Aoste à "d’autres formes d’union" n’est pas partagée par ses confrères de la Péninsule: l’évêque de Viterbe (centre) Mgr Chiarinelli a déclaré que le PACS "minerait dans ses fondations l’institution du mariage".
Le cardinal Carlo Caffarra, archevêque de Bologne, a même estimé que les questions sur la vie, la famille et le mariage constituent "le point de confrontation le plus fort entre la proposition chrétienne et les autres formes de culture".
(…)
3 February, 2007

AFP
A obra recria o milagre dos pães e dos peixes. Foi um trabalho demorado, mas acaba de ficar pronto. Durante uns longos sete anos, Miquel Barceló envolveu-se na construção de um retábulo de cerâmica na capela do Santíssimo da Catedral de Palma de Mallorca.
"Este projecto foi de uma intensidade quase agónica. Foram meses de trabalho durante muitas horas diárias. De dia e de noite. Nunca trabalhei com uma disciplina assim, com uma tal tensão sem trégua", disse o artista ao diário El Mundo.
A capela foi inaugurada na sexta-feira pelos reis de Espanha.
1 February, 2007
A comunidade de Taizé animou, nos dois últimos dois dias, em Bruxelas, vários encontros de oração e debate sobre o tema "Abir caminhos de confiança para a Europa". Esteve presente o irmão Aloïs, actual prior. A iniciativa realizou-se a convite da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia. Taizé continua a ser uma comunidade profética, falando de confiança. "E se no início de tudo estivesse a confiança do coração?", perguntava o irmão Roger.
24 November, 2006

Abre hoje ao público, em França, aquele que é considerado o conjunto mais relevante do arquitecto Le Corbusier na Europa. Trata-se da igreja de S. Pedro, concebida nos últimos anos de vida do arquitecto mundialmente conhecido, mas cuja construção esteve, desde finais dos anos 60 do século passado, emperrada em vários momentos.
A ideia de convidar Le Corbusier surgiu do presidente da Câmara de St. Pierre de Firminy, no Loire, ele próprio ex-ministro encarregado da reconstrução do país, no pós-Guerra.
A igreja de S. Pedro irá acollher, no complexo em que está inserida, uma parte do Museu de S. Étienne e os seus responsáveis contam apostar sobretudo no turismo e na pastoral do turismo. (Fonte: La Croix)
22 November, 2006
Acaba de vir a lume o segundo número da revista electrónica "Online - Heidelberg Journal of Religions on the Internet", da iniciativa de uma equipa de investigação da Universidade de Heidelberg (Alemanha). A revista é nova e ainda relativamente desconhecida, mas merecedora de visita.
Este número tem por tema genérico "Rituals on the Internet" (está já anunciado um novo sobre "Mundos virtuais") e compreende, entre outros, os seguintes artigos:
- Radde-Antweiler, Kerstin:Rituals Online: Transferring and Designing Rituals.
- Casey, Cheryl Anne: Virtual Faith - the Revirtualization of Religious Ritual in Cyberspace.
- MacWilliams, Marc:Techno-Ritualization - the Gohozon Controversy on the Internet.
14 November, 2006
Duas leituras no jornal Le Monde:
- "Hans Küng : l’autre ‘cerveau’ de l’Eglise", um retrato do teólogo alemão feito pelo jornalista Henri Tincq. Um contraponto inevitável com aquele que é hoje o papa Bento XVI. O texto arranca deste modo: "Longtemps, ils ont été les frères jumeaux de la puissante théologie allemande. Même âge à un an près, même parcours universitaire à Tübingen, même brio intellectuel, même boulimie pour l’écriture, même passion pour la musique et Mozart, même audace quand ils étaient jeunes experts au concile Vatican II. Dans les années 1960, ils voulaient changer le monde et l’Eglise. Aujourd’hui, Hans Küng, 78 ans, est doyen émérite de l’université de Tübingen, conférencier international, auteur prolifique, président de la Fondation pour une éthique planétaire. L’autre, Joseph Ratzinger, 79 ans, est pape".
-
Entrevista do mesmo jornalista a Jean-Michel di Falco, presidente do conseil pour la communication de la Conférence des évêques de France. Intitula-se "
Les médias au risque du voyeurisme". Abre assim: "
La télévision est la nouvelle religion païenne. Autrefois, les familles se retrouvaient pour l’angelus et la prière qui ponctuait toute la vie chrétienne. Aujourd’hui, elles se rassemblent pour le journal télévisé de 20 heures, la "grand-messe" de l’information, avec un ‘grand prêtre’, le présentateur, pour la célébrer. Et ce journal se déroule selon un rite bien défini, le conducteur, qui est l’équivalent de la ‘liturgie’".
12 November, 2006
A publicação de uma Bíblia politicamente correcta é hoje notícia no El País:
La Biblia políticamente correcta
Teólogos alemanes publican una versión de las Sagradas Escrituras que evita el antisemitismo y la discriminación de la mujer
SANDRA ELLEGIERS
Las Sagradas Escrituras parecen haber quedado atrás en un mundo que aboga por la igualdad y rechaza malas costumbres. Por ello, un grupo de 42 teólogas y 10 teólogos alemanes, muchos protestantes, han dedicado cinco años a redactar una nueva traducción políticamente correcta. Publicada en la última Feria del Libro de Frankfurt, la Bibel in gerechter Sprache (Biblia en lenguaje justo, de la editorial Gütersloher Verlag), la versión despierta la sospecha de que la palabra de Dios, transmitida a los hombres (¿y a las mujeres?) a través de terceros, los traductores, fue manipulada con un cierto sesgo machista, propio de las sociedades en que estos vivían, para ganar popularidad y conversiones.
La nueva versión, en tiempos en que las iglesias alemanas se vacían, pretende acabar con la discriminación de las mujeres, los judíos y otros grupos sociales. Sus editores quieren que su Biblia sea "políticamente correcta". El grupo recolectó 400.000 euros de diferentes parroquias para esta revolucionaria edición de las Sagradas Escrituras. Muchos se preguntan si el libro, cuya primera tirada de 20.000 ejemplares se agotó en dos semanas, es más una nueva interpretación de la Biblia que una nueva traducción, como la definen sus editores.
Como en hebreo la palabra Dios es neutral, en esta versión regresa aquel nombre, Adonai, sin género, para emplear un lenguaje políticamente correcto. Alterna esta denominación, además, con "el Eterno" y "la Eterna", "Él" y "Ella", "el Santo" o "la Santa", "el Viviente" o "la Viviente" o, simplemente, "Tú". Los fariseos aparecen acompañados de fariseas y los apóstoles, de apostolinas. Se elimina el papel secundario de las mujeres, su discriminación sexual, manifestada en expresiones como "hija de" o "madre de".
El programa en alemán de la radio del Vaticano ha dado cuenta de reacciones positivas y negativas sobre esta versión de la Biblia, que incluye, además de teorías feministas, ideas de la Teología de la Liberación. El presidente de la Iglesia Evangélica en Hesse y Nassau, Peter Steinacker, miembro del comité consultivo del proyecto, anunció la utilización del texto políticamente correcto para el trabajo en su parroquia y la preparación de sus sermones. La versión que hizo Lutero con su reforma, sin embargo, continuará siendo la referencia de Steinacker para la liturgia, porque forma parte "de una memoria colectiva". El otro extremo lo representa un investigador del viejo testamento, Bernd Janowski, quien afirma que esta nueva Biblia es "un documento de un protestantismo que se ahoga en sí mismo". "Es vergonzoso que directivos eclesiásticos hayan financiado el proyecto", critica Janowski.
Mientras en la anterior versión de los Evangelios, Jesús predica que no se debe matar y luego dice: "Pero yo os digo…", en la nueva versión de los teólogos (¡y teólogas!) alemanes se cambia por: "Yo hoy os lo comento/ interpreto así" (Ich lege euch das heute so aus), cómo si Jesús hubiera querido decir simplemente: ‘También se puede ver así", se escandaliza un crítico de la iniciativa en el semanario Die Zeit. La búsqueda de la igualdad revisa incluso la cita del apóstol Juan: "En el principio existía la Palabra y la Palabra estaba con Dios y la palabra era Dios". En la nueva versión se transforma en estos términos: "En el principio existía la sabiduría y la sabiduría estaba con Dios, y la sabiduría era Dios".
"El hilo conductor de la Biblia es la justicia", la igualdad, declara la teóloga evangélica Claudia Janssen al semanario Der Spiegel; pero con el tiempo se acentuaron "las tendencias discriminatorias", contradictorias con aquella idea de igualdad. Lo cual ha justificado, en su opinión, esta tardía iniciativa de modernización. A partir, de ahora, se puede rezar: "Padre y Madre nuestro/a que estás en los cielos".
3 November, 2006
A European Film Academy concedeu o primeiro prémio na categoria Documentários 2006 - Prix Arte ao filme “O grande silêncio”, sobre a Cartuxa de Grenoble (França). Entre os oito finalistas, o júri decidiu-se por “O grande silêncio”, de Philip Gröning, pelas seguntes razões: “O intenso filme de Philip Gröning impressiona por sua capacidade de narrar a mística da fé e nossa capacidade de calma e silêncio, em contraste com a vida moderna. Parece que o realizador, armado de paciência, ganhou a confiança desta comunidade fechada, conseguindo capturar imagens e sons maravilhosos. ‘O grande silêncio’ é um grande filme que fala de humanidade e do nosso cenário europeu comum”. “O grande silêncio” tem 162 minutos de pura quietude. O filme relata com imagens a vida quotidiana dos monges: a oração litúrgica, a meditação, o trabalho, o canto gregoriano, os passeios pela natureza, a vida em comunidade… O autor passou seis meses com os cartuxos. Mais pormenores na
Zenit.
2 November, 2006
Os arcebispos de Bruxelas, Budapeste, Paris e Viena e o patriarca de Lisboa encontraram-se esta quinta-feira com a comissária europeia para as Relações Externas. Foi no âmbito do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, cuja quarta sessão está a decorrer em Bruxelas. A
Ecclesia referiu algumas declarações do cardeal-patriarca de Lisboa após o encontro. Sobre a Cosntituição Europeia, disse D. José Policarpo: "Antes de saber se se mexe no preâmbulo é preciso saber o que resta e qual será o futuro daquele texto."
Na Alemanha, no dia em que se assinalava o aniversário da reforma de Lutero, a "preocupação" com o islão levava a um gesto impensável; pelos vistos, continua a haver quem queira fogueiras - mesmo que seja a própria - contra o que é diferente. A notícia é do serviço Ecumenical News International:
German pastor who set himself on fire was ‘worried about Islam’
Erfurt (Alemanha), 2 Novembro (ENI)
A retired Protestant pastor in Germany has died after dousing himself with petrol and setting himself on fire, leaving behind a note saying he was worried about the spread of Islam. Roland Weisselberg, aged 73, died in a special clinic on 1 November after setting himself alight the previous day at a service in the Augustinian monastery in Erfurt in eastern Germany to mark Reformation Day. Bishop Axel Noack, who heads the regional Protestant church that includes Erfurt, said he was deeply shocked at the news about Weisselberg’s death. Erfurt’s Protestant provost, the Rev. Elfriede Begrich, said after meeting Weisselberg’s widow that he had left a letter where he wrote that he was "concerned about the spread of Islam in Germany". She said that in recent years Weisselberg had repeatedly called on the church to deal more intensively with Islam. Onlookers reported that before he covered himself in petrol, Weisselberg had stated, "Jesus and Oskar". This was assumed to be a reference to Oskar Bruesewitz, a Protestant pastor who burned himself alive in 1976 in protest against the communist government that ruled East Germany until 1989. Bishop Noack acknowledged failures in the way that churches had related to other religions and cultures, and, especially in eastern Germany, there was little "experience of dealing with each other in everyday life". At his retirement in 1989, Weisselberg was pastor of the Windischholzhausen district of Erfurt, the capital of the regional state of Thuringia.
Fonte: ENI - Ecumenical News International