3 April, 2007

Por que acreditam em Deus os filhos de Abraão (VI)

Na série sobre a fé dos filhos de Abraão, este é o depoimento de Ivan Moody – Ortodoxo, nasceu em Londres em 1964. Estudou música e teologia, e é actualmente presidente da Sociedade Internacional de Música Ortodoxa. Tem servido como cantor na catedral russa de Londres e nas paróquias grega e búlgara de Lisboa

Não posso dizer por que acredito

Posso dizer, com toda a honestidade, que sempre tive fé. Percebo que para outros não é assim, mas nunca duvidei da existência ou da bondade de Deus. (É claro que isto não quer dizer que na prática da Ortodoxia eu seja perfeito – são duas questões distintas.) Por isso, de certa forma, não posso dizer por que acredito em Deus, embora também pudesse responder que nunca poderia acreditar que o complexíssimo e belíssimo milagre da criação do Universo e da vida fosse um mero acaso. Quanto às descobertas científicas, até agora não vi nenhuma que pusesse em causa a minha fé; admiro o trabalho dos cientistas, e, longe de ver a minha fé contradita nele, vejo uma confirmação – e que seja claro que não me refiro aqui a literalismos como acreditar em oito dias (como nós os ordenamos) para a criação do mundo. No cepticismo vejo mais perigo – embora, mais uma vez, eu pessoalmente tenha sempre conseguido resistir –, pois é muito fácil sobretudo para um jovem, ainda a absorver o mundo à sua volta, ser infectado por um não-crente, mesmo que cresça num meio religioso. É claro também que hoje em dia este fenómeno é reforçado não pelo secularismo dominante – eu acredito na separação do estado e das instituições religiosas –, mas pela “correcção política”, que faz com que, por exemplo, em certas zonas dos Estados Unidos não se  possa ter o símbolo da Cruz, enquanto símbolos judaicos e muçulmanos são aceitáveis. Se me perguntar “mas não pode provar a virgindade de Maria ou a acção histórica do Logos, pois não?”, então é óbvio que vou ter de responder que não. Mas é a pergunta errada, pois parte da necessidade de uma prova científica segundo o modelo supostamente moderno da ciência. A fé começa noutro sítio, num complexo que é capaz de integrar uma visão cósmica e o destino do homem, essa criatura profundamente doxológica.

1 February, 2007

Premiado filme sobre arrependimento de monge ortodoxo

Um filme sobre o arrependimento, centrado na figura de um monge ortodoxo atormentado pelo seu passado, venceu várias categorias do mais importante prémio de cinema russo. Sophia Kishkovsky, do serviço de imprensa do Conselho Mundial de Igrejas, deu a notícia: «A feature film about repentance - as embodied by a Russian Orthodox monk tormented by his wartime past - has swept top prizes at Russia’s main film awards ceremony. "Ostrov," or "Island," took six Zolotoi Oryol, or Golden Eagle awards, including best film, director and actor at a ceremony on 27 January. The film stars Pyotr Mamonov, a Soviet-era underground rock star who has become a devout Orthodox believer and now lives in an isolated village. It was directed by Pavel Lungin, previously most famous for "Taxi Blues", a perestroika-era film also starring Mamonov, and "Tycoon: A New Russian," a fictionalised take on the rise of Boris Berezovsky, a controversial magnate now living in British exile.»
27 November, 2006

Aproximação de católicos e ortodoxos na agenda turca de Bento XVI

Sobre o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, escreve-se no Destaque de domingo do Público:

O objectivo número um da viagem do Papa Bento XVI à Turquia é a aproximação com a Igreja Ortodoxa, da qual o patriarca Bartolomeu I é o primus inter pares. Uma declaração comum será assinada pelos dois líderes religiosos no dia 30, quinta-feira, naquele que será mais um passo na aproximação mútua de duas igrejas, separadas formalmente desde 1054 – há quase mil anos. (…) A viagem “terá um grande significado para o diálogo entre a Igreja Católica e a ortodoxia”, afirmou o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone. (…) Líder espiritual dos perto de 200 milhões de ortodoxos do mundo inteiro, Bartolomeu convidou o Papa para aquela que é a festa mais importante do patriarcado, a festa de Santo André. De acordo com a tradição, foi este discípulo, um dos mais doze apóstolos seguidores de Jesus, o primeiro a anunciar o evangelho na cidade. Mesmo se é simbolicamente importante, não se espera que o encontro traga novidades importantes ao processo de aproximação mútua. A divergência maior – o primado do Papa – está longe, ainda, de ser resolvida.

20 November, 2006

Diálogo Vaticano-Igreja Ortodoxa Russa é necessário, diz núncio

A notícia é de sábado. O núncio apostólico do Vaticano na Rússia disse, na assembleia dos bispos católicos, que o diálogo com a Igreja Ortodoxa é necessário. Um recado claro numa altura em que todas as vozes do Vaticano – incluindo Bento XVI – aparecem a manifestar-se pelo degelo entre católicos e ortodoxos na Rússia. Vale a pena registar o que conta a Asia News:

 Nuncio in Russia: dialogue with Orthodox a must

At the closing of the plenary session of the Conference of Catholic Bishops, Mgr Mennini made a call for ecumenism, “fulfillment of Christ’s will to unity among Christians”. Saratov (AsiaNews) – The Apostolic Nuncio in Russia, Mgr Antonio Mennini, has once more emphasised the importance of Orthodox-Catholic dialogue. He was speaking yesterday at the close of the 23rd plenary session of the Conference of Catholic Bishops of Russia. “Ecumenical activity is not just a choice made by certain clergymen, but the fulfillment of Christ’s will to unity among Christians,” said the Vatican representative.The Conference’s general secretary, Fr Igor Kovalevsky, said participants of the plenary had paid particular attention to inter-confessional and inter-religious dialogue.