14 September, 2007

Toneladas de tâmaras para o Ramadão e maçãs com mel para Rosh Hashanah

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Judeus entram no Ano Novo judaico e muçulmanos iniciam Ramadão o mês mais importante do calendário islâmico

Toneladas de tâmaras vêm dos países árabes para Portugal por estes dias, a maior parte delas oferecidas pelas respectivas embaixadas. O fruto assinala, diariamente, em casa ou nas mesquitas, a quebra do jejum do mês de Ramadão, que ontem se iniciou. Por coincidência de calendário, os judeus entraram também ontem no novo ano (5768) do seu calendário.

O início de Ramadão, o nono mês do calendário lunar islâmico, está sempre dependente da observação da lua nova a olho nu. Daí que, em alguns sítios, o mês comece um dia mais tarde. É o caso do Senegal, pelo menos, que só hoje registará o primeiro dia de Ramadão.

Durante este mês, os muçulmanos jejuam de dia e só podem comer após o pôr-do-sol. O fim do jejum é assinalado com a quebra de uma tâmara, fruto escolhido por ser essa a prática tradicional do Profeta Maomé.

“Trata-se de valorizar o que temos e partilhar com os que não têm” diz ao PÚBLICO o xeque da Mesquita de Lisboa, David Munir, acerca do sentido deste mês de jejum, em que se comemora a revelação do Alcorão. Este mês e o período de jejum que lhe está associado é um dos cinco pilares do islão, com a profissão de fé, a oração, a esmola e a peregrinação a Meca.

O mês acaba com a festa do Eid-Al-Fitr, que este ano (1428, no calendário islâmico) deverá ser assinalada a 12 ou 13 de Outubro. Nessa ocasião, as mesquitas enchem-se e os crentes revezam-se em oração. Em casa, há refeição de festa, com família ou amigos, e com doces em que a amêndoa e o pistáchio são alguns dos condimentos mais usados.

Na Mesquita de Lisboa, o Ramadão deste ano será assinalado ainda por alguns debates, a realizar todos os sábado, após as 23h00, quando acaba a última oração. O jejum nas outras religiões (com participantes de diferentes credos), a morte no islão e as relações entre Estado e religião são alguns dos temas previstos.

Já o Ano Novo judaico tem características diferentes, embora assuma também o aspecto da meditação e revisão de vida. Durante os 30 dias do mês de Elul (que antecede o dia de Rosh Hashanah), os judeus fazem uma “preparação espiritual” que tem já em vista a festa de Yom Kipur, o dia do perdão, que se assinala a 10 de Tishrei ou 22 de Setembro.

Na festa de Rosh Hashanah, toca-se o shofar, a trompeta feita com chifre de carneiro. São lidos textos e orações relacionados com a análise dos actos que se fizeram ao longo do ano, explica Samuel Levy, ex-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa. Essa reflexão marca dos dez dias que se seguem ao Ano Novo, até ao Yom Kipur.

Uma cerimónia perante água corrente, com o significado de “deitar fora as coisas erradas e de perdoar uns aos outros” assinala também esta época. Também gastronomicamente, há doces e pratos que se cozinham especialmente para esta altura. Maçã com mel, romãs, como sinal de fartura, e abóbora (cuja palavra hebraica é a mesma para rasgar, com o significado de rasgar as coisas velhas, estão presentes com abundância.

Na Torá (a Bíblia), era a fuga dos judeus do Egipto que marcava o início do ano. A tradição rabínica mudou depois o Ano Novo para Rosh Hashanah. A saudação habitual é desejar “um ano doce e bom”.

António Marujo

8 September, 2007

Shana tova

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Shana tova (Bom ano) são os votos que, quando está prestes a iniciar-se o ano judeu de 5768, se formulam.

10 August, 2007

A Promessa de Jean-Marie Lustiger

Filho de judeus polacos naturalizados franceses, tendo a mãe sido deportada e morta em Auschwitz, o cardeal Jean-Marie Lustiger, que, hoje, sexta-feira, foi a sepultar, publicou A Promessa (Paris: Parole et Silence, 2002), um importante livro que dá conta do modo como este judeu convertido ao cristianismo encara o mistério de Israel.
O diário La Croix publicou os extractos que seguem :

La tentation pagano-chrétienne
« L’Ancien Testament n’est ni une propédeutique, ni une préparation littéraire, ni un recueil de thèmes et de symboles : c’est un chemin véritable, nécessaire et actuel. Actuel, non par des rapprochements anecdotiques, mais par la communion et l’obéissance à Dieu ; actualité spirituelle de l’entrée dans le mystère de l’Élection.
Si les païens qui ont accès à l’Alliance dans le Christ ne font pas ce chemin, ils risquent de n’être pas réellement convertis et, donc, de mépriser le Christ, alors même qu’ils croyaient l’honorer. C’est la tentation permanente des peuples pagano-chrétiens. (…) Dès lors, la figure du Christ est réduite à la figure mythique ou purement païenne de la divinité à laquelle la raison occidentale impose son triomphe. »

L’Église
« L’une des erreurs d’optique où se porte le désir spirituel est de projeter sur le présent de l’Église une eschatologie réalisée au rabais. Cette erreur défigure l’espérance chrétienne. Elle transforme la vie chrétienne en un mythe ou, à l’inverse, en une insupportable tyrannie. On essaiera, par des moyens humains, de faire de la société chrétienne une figure du Royaume des cieux, alors qu’elle n’en est que la caricature souvent infernale. Dieu nous donne au contraire la force d’espérer. (…) Ce temps-ci n’est qu’un temps obscur, d’espérance et de fidélité, et non pas le temps de la gloire. »

Le mystère d’Israël
« Le mystère d’Israël, c’est indissolublement le mystère des chrétiens. C’est cela même que nous sommes tentés de refuser, que nous refusons sans cesse, et qui nous fait considérer le mystère d’Israël comme étranger à la foi chrétienne. Du coup, tout discours sur Israël tenu par des chrétiens risque d’être insupportable à Israël. Cependant, le but de notre méditation n’est pas d’être supportable ou insupportable aux juifs, mais d’être nous-mêmes dans la vérité de ce que Dieu nous demande. Il faut donc comprendre qu’il s’agit d’un mystère chrétien, et fondamentalement chrétien. (…).
Si l’on prétend en faire l’économie, on dévoile combien, et de quelle manière on est peu chrétien. (…) La question est de comprendre comment des gens cultivés, de bonne foi, sincèrement chrétiens, peuvent être amenés à ce refus d’enracinement. (…) C’est l’objet d’un combat spirituel qui demande un choix par rapport à Dieu et donc suppose l’offrande de la vie. (…) Aussi la théorie du rejet d’Israël apparaît comme un non-sens, une absurdité, puisqu’elle prétend que Dieu serait infidèle à son Alliance. Ce n’est pas comprendre le mystère du Christ lui-même. »

Un test absolu
« Le sort fait aux juifs est le test de la manière dont les païens devenus chrétiens acceptent en vérité le Christ. C’est vraiment le test absolu. Il ne s’agit pas là simplement du rapport entre l’amour du prochain et l’amour de Dieu. Le juif est le signe strict de l’Élection, et donc du Christ. Ne pas reconnaître son Élection, c’est ne pas reconnaître l’Élection du Christ. Et c’est être incapable d’accepter sa propre Élection. Il y a là une logique implacable. »

L’antisémitisme chrétien
« Il nous faut de plus aujourd’hui accepter qu’Israël soit lui-même, que les juifs soient eux-mêmes et se définissent comme ils l’entendent. Il ne faut pas idéaliser. Ils sont, comme les chrétiens, un peuple de pécheurs qui a à se convertir, à être fidèle à la grâce qui lui est faite. (…) Enfin, l’antisémitisme chrétien apparaît non pas comme un problème particulier de racisme parmi d’autres, mais en vérité comme un péché – un péché dont l’énormité est significative d’une infidélité profonde à la grâce du Christ. Dans ce que les chrétiens récusent d’Israël est attesté ce qu’ils rejettent du Christ et qu’ils n’avouent pas comme un refus.
Pour la conscience chrétienne, ce que l’on nomme « la question juive » n’est pas le problème d’une minorité raciale, ethnique ou culturelle. Dans tout peuple, dès lors qu’il y a une population étrangère, naissent des réflexes xénophobes. (…) Quand ce mécanisme s’empare des chrétiens à l’égard des juifs, il touche immédiatement la foi des chrétiens. Les juifs ne sont ce qu’ils sont que dans la mesure où ils sont d’abord les témoins de l’Élection. Leur rejet est, de la part des chrétiens, que ceux-ci le veuillent ou non, une appropriation abusive ou blasphématoire de l’Élection. C’est refuser concrètement la réalité du don de Dieu, des chemins de Dieu. »

Como Deus abre a porta da fé
Em Portugal, foi recentemente editada a obra Como Deus Abre a Porta da Fé (Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2007), título que retoma uma expressão dos Actos dos Apóstolos. As formas permanentes e contemporâneas da idolatria, os sacramentos da Igreja para o perdão libertador, a respeito do testemunho e da conversão e os paradoxos da evangelização hoje como ontem são alguns temas do livro.
No final do texto inicia a obra, uma oração de Blaise Pascal: "Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob, não dos filósofos e dos sábios. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz Deus de Jesus Cristo".

21 March, 2007

Por que acreditam em Deus os “filhos de Abraão”? (III)

A criação da vida não pode ser obra do acaso - Samuel Levy

Este é o terceiro texto dos depoimentos publicados no dia 11 de Março, no Público (ver mais abaixo), a propósito do ciclo na Culturgest.

Judeu, nascido em Lisboa a 7 de Julho de 1929. Foi presidente do Centro Israelita de Portugal de 1955 a 1957 e da Comunidade Israelita de Lisboa nas décadas de 50 e 60, e mais tarde de 2000 a 2002

Em primeiro lugar: a Fé é uma convicção que, por definição, não carece de explicação racional. Apesar disso posso dizer que acredito em Deus, porque sinto (e até reconheço  racionalmente) que a criação do Universo e o seu funcionamento, a criação da Vida na Terra, em especial da vida humana, são de tal complexidade e harmonia que não podem ser obra do acaso. Não consigo acreditar que tudo isto seja obra do acaso. Acredito serem criações resultantes de uma vontade superior que também as faz funcionar  segundo leis precisas necessárias e suficientes. Acredito num Deus (seja o que isso significar), como dizia Moisés Maimonides – 1135 ou 1138-1204, nasceu em Córdova e está enterrado em Tiberíades (Israel) –, Ser Primordial, infinito, incorpóreo, sem composição, eterno e único. De modo algum [é difícil ter fé hoje]. Sobretudo no caso da religião que professo – o Judaísmo – em que a definição de Deus que dei acima é clara e me parece absolutamente evidente. Aceito que haja cépticos que não consigam acreditar, mas que também não têm qualquer alternativa de explicação. Conforme referi na minha conferência na Culturgest, “pouca ciência afasta de Deus, muita ciência aproxima de Deus” (Einstein?). Quanto mais descobertas científicas mais admiração se tem pelas maravilhas da Criação. O Judaísmo não tem dogmas e não aceita a divinização de nada (nem coisas, nem seres vivos ou mortos). Deus é único.

11 March, 2007

Por que acreditam em Deus os “filhos de Abraão”? (II)

A longa viagem que “inventou” o monoteísmo

A acompanhar os depoimentos dos cinco crentes abraâmicos, escrevi no Público de hoje um texto sobre a viagem de Abraão.

Andrei Rubliov, A Hospitalidade de Abraão, 1411 

Referência fundadora para judeus, cristãos e muçulmanos, não se sabe se Abraão é a personificação de um clã ou uma personagem concreta. Mas sabe-se, sim, que a sua aventura mudou a História. A ele se deve o início do monoteísmo.

No princípio, foi um mito, personificação de um grupo ou uma personagem concreta? Viveu há 1500 anos ou mais? Ao aceitar uma proposta de aliança com Deus, Abraão mudou a história. Deixou o culto politeísta da sua tribo e intuiu, “inventou” o Deus único. A sua viagem mudou a História. Tornou-se a referência inaugural para judeus, cristãos e muçulmanos.
Naquele tempo, seria uma viagem quase impossível. Seis mil quilómetros a pé e com animais de carga, um clã inteiro pelo deserto, entre territórios hostis: de Ur, na Suméria (actual Iraque), até Canaã (onde está Israel), passando por regiões que hoje constituem a Síria, a Turquia, o Egipto, a Arábia Saudita.
Singular foi também a viagem espiritual deste homem: alguém que se põe a caminho, escuta uma promessa, que se torna “amigo de Deus”, espera pacientemente um filho, exercita a hospitalidade e intercede pelos condenados. E que, no fim, ainda é posto à prova: conseguirá abdicar do bem mais precioso, a vida do filho que tanto tardara? Nesta aventura, vêem a Bíblia e o Alcorão a Aliança fundadora da relação entre Deus e a humanidade. A Bíblia narra a história, o Alcorão interpreta a vida do patriarca na revelação de Deus.
Pier Giorgio Borbone, professor de Língua e Literatura Hebraica em Pisa, evoca (Abramo Padre di Tutti i Credenti, ed. ETS, Pisa, Itália) a “relação específica e única” entre Abraão e Deus. Uma proximidade intensamente pessoal. Os judeus invocam o Deus “de Abraão, de Isaac e de Jacob”, um Deus único evocado na pluralidade. Tal como no Alcorão, onde Ibrahim (o nome árabe) é referido 69 vezes (apenas Moisés é mais citado): “Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob e às tribos.” Sintetiza Borbone: “Íntimo de Deus, eleito e destinatário da promessa.”
Abraão, este nome evoca uma promessa. Há dúvidas quanto às datas – foi há 3500 anos? há cerca de 4000? – mas a maioria dos investigadores aponta um tempo algures por volta do século XVIII a.E.C. (antes da Era Comum). Abraão vive em Ur com o seu clã. Ur é, na época, o centro económico e cultural da Mesopotâmia, pouco mais de 10 mil pessoas num porto à beira do Eufrates e nas cercanias do Golfo Pérsico (o mar afastou-se entretanto uns 150 quilómetros). Só em Ur foram descobertos milhares de textos em escrita cuneiforme, inventada na região à volta de 3200 a.E.C.
Em 2000, o escritor polaco Tad Szulc (autor de biografias de João Paulo II e Fidel Castro publicadas em português) percorreu o trilho de Abraão. E falou sobre Ur com Piotr Michalowski, director da revista Journal of Cuneiform Studies e especialista na civilização mesopotâmica. “Imagino uma cidade próspera, de ruas fervilhantes cheias de lojas”, disse o especialista, na reportagem publicada em Dezembro de 2001 na National Geographic.
Uma guerra terá forçado Tera, pai de Abrão (o nome Abraão ser-lhe-à dado mais tarde), a deixar Ur com o seu clã. Mil quilómetros até Haran (actual Turquia). Em Ur e em Haran era a Lua que as pessoas adoravam, sob a invocação de Sin. Em Haran, escutou Abrão um Deus diferente, que lhe ordenava: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo”, conta a Bíblia, no livro dos Génesis.
A viagem de Abraão é mesmo, para os muçulmanos, a matriz da peregrinação a Meca. Varios dos ritos do hajj evocam episódios da vida de Abraão, desde a construção da Caaba até ao ritual do sacrifício.
O patriarca passa um tempo no Egipto, no Négueb, em Betel, até se fixar “junto aos carvalhos de Mambré, próximo de Hebron”, onde “construiu um altar ao Senhor”. Aí, Deus promete-lhe o filho que ainda não tem e uma descendência incontável: “Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se fores capaz de as contar. Pois bem, será assim a tua descendência.
Abrão está velho – terá cerca de 90 anos – e Sarai, sua mulher, também. Hesita: como será isso? A própria mulher propõe-lhe: “Visto que o Senhor me tornou uma estéril, peço-te que vás ter com a minha escrava. Talvez, por ela, eu consiga ter filhos.” Um gesto permitido pelo código de Hammurabi, para que um homem tivesse descendência. Agar engravida e nasce Ismael. Aqui radica uma divergência entre judeus e muçulmanos: para estes, Ismael é o filho herdeiro de Ibrahim.
É que mais tarde nasce Isaac, filho de Sara. Na Bíblia, é Isaac e não Ismael o filho com legitimidade para herdar. O nascimento de Isaac é anunciado pelo próprio Deus, que aparece a Abraão sob a forma de três visitantes misteriosos, aos quais ele oferece água e pão. A hospitalidade de Abraão será tema omnipresente. Na espiritualidade, o andaluz Ibn Arabi, considerado o maior xeque sufi, fala dela a propósito da relação entre Deus e o crente. Na arte, Andrei Rubliov, celebrizado no filme homónimo de Tarkovski, pintará em 1411 o ícone que se tornará a obra russa mais comentada de sempre.
Antes, tinha Abrão 99 anos, já Deus selara com ele a sua aliança: “Serás pai de inúmeros povos. Já não te chamarás Abrão, mas sim Abraão, porque Eu farei de ti o pai de inúmeros povos.” Esse é o significado do nome: pai de uma multidão. Abraão ganha a universalidade, reflecte Borbone, já não é apenas Abrão, um “pai excelso”. A mesma dimensão que São Paulo, no cristianismo nascente, lhe dará, ao chamá-lo pai de circuncisos (os judeus) e incircuncisos (os não-judeus). Os textos do Novo Testamento cristão olham-no como modelo de fé, confiança e disponbilidade, recorda Jean Louis Ska, professor do Instituto Bíblico Pontifício, no livro citado.
No seu diálogo com Deus, Abraão chega a ser quase impertinente. Como quando interpela a destruição de Sodoma e tenta salvar a cidade: E será que vais exterminar, ao mesmo tempo, o justo com o culpado? (…) Não perdoarás à cidade, por causa dos cinquenta justos que nela podem existir?“Pois que me atrevi a falar ao meu Senhor, (…) se, por acaso, para cinquenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade, por causa desses cinco homens?” E a insistência final: “Que o meu Senhor não se irrite (…) Talvez lá não se encontrem senão dez.” O atrevimento resulta: “Em atenção a esses dez justos, não a destruirei.”
À prova de paciência a que Abraão se sujeitara, Deus acrescenta-lhe uma última: pede-lhe que sacrifique aquele por quem tanto esperara: “Pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à região de Moriá, onde o oferecerás em holocausto.” Isaac é poupado, in extremis, pelo próprio Deus, quando Abraão já se preparava para cumprir o ritual – um momento imortalizado em muitas obras de arte ao longo dos séculos.
Este é o acto de fé radical e fundador. Abraão confia até final na presença de Deus. Abandonando-se à promessa, sabe que, no fim, Deus providenciará. Na reportagem citada, Tad Szulc cita o poema “Hino à bênção de Abraão”, do muçulmano Cengizham Mutlu: “Não sente dor, não se lamenta./ Diz: “O meu Deus salvar-me-à.”/ Dois anjos tinham-no previsto com acerto.// Brasas transformam-se em cinzas./ Faíscas transformam-se em rosas.”

13 December, 2006

Vaticano afirma que a Shoah foi uma “tragédia imensa”

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A Shoah é uma "tragédia imensa", diz o Vaticano num comunicado emitido hoje a propósito de uma conferência negacionista promovida pelo presidente do Irão.
Ao contrário do que se tem afirmado na iniciativa que hoje termina em Teerão, o Holocausto do povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial existiu, foi uma "tragédia imensa" e subsiste como uma "advertência" para as consciências.
O comunicado, emitido pela Sala de Imprensa da Santa Sé nesta terça-feira, afirma textualmente:

"Relativamente à Conferência, que decorre em Teerão, a Santa Sé recorda sua posição, já expressa no documento da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo ‘Nós recordamos: uma reflexão sobre a Shoah‘. O século passado foi testemunha da tentativa de exterminío do povo judeu, com o assassinato de milhões de judeus de todas as idades e categorias sociais apenas por serem judeus. A Shoah foi uma tragédia imensa, ante a qual não é possível permanecer indiferente. A Igreja sente um profundo respeito e uma grande compaixão pela experiência vivida pelo povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial: a lembrança daqueles terríveis factos representa uma advertência dirigida às consciências para eliminar os conflitos, respeitar os legítimos direitos de todos os povos, exortar à paz, na verdade e na justiça. Esta posição foi afirmada pelo Papa João Paulo II no Monumento à Memória Yad Vashem em Jerusalém, no dia 23 de Março de 2000, e foi confirmada por Sua Santidade o Papa Bento XVI durante a visita ao campo de extermínio de Auschwitz, no dia 28 de Maio de 2006.

11 December, 2006

Sobre o filme “A História do Natal”

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Aproveitando a quadra, as salas de cinema oferecem, este ano, "A História de Natal", um filme acabado de produzir, realizado por Catherine Hardwicke. O filme parece ter algum interesse documental, a avaliar por uma extensa análise crítica que o site da Signis - Associação Católica Internacional para a Comunicação divulga [Interessante, este texto, entre outros motivos pelo facto de traçar um quadro histórico acerca da presença de Maria no cinema].

As edições Paulistas norte-americanas não perderam tempo e já têm no mercado um guia para aproveitamento pastoral do filme.

Site Oficial do filme: http://www.thenativitystory.com/

O Filme na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Nativity_Story

9 November, 2006

Vatican urges Israel to ban Jerusalem gay parade

A posição do Vaticano sobre a marcha do orgulho gay em Jerusalém foi notícia na Reuters:

    By Robin Pomeroy
    VATICAN CITY, Nov 8 (Reuters) - The Vatican has condemned a gay pride parade due to be held in Jerusalem on Friday as offensive to religious believers and urged Israeli authorities to stop it taking place.
    "It is with bitterness that we have learned that the day after tomorrow, Nov. 10, 2006, there is scheduled in Jerusalem a so-called ‘gay pride parade’," the Vatican said in a statement issued on Wednesday.
    In a letter to Israel’s Foreign Ministry, the Vatican urged authorities to withdraw permission for the parade which is expected to attract up to 8,000 people.
    "The Holy See has reiterated on many occasions that the right to freedom of expression, sanctioned by the Universal Declaration of Human Rights, is subject to just limits, in particular when the exercise of this right would offend the religious sentiments of believers," the letter said.
    "It is clear that the gay parade scheduled to take place in Jerusalem will prove offensive to the great majority of Jews, Muslims and Christians, given the sacred character of the City of Jerusalem."
    Gay pride festivals have been held each year in Jerusalem since 2001, but this year’s, bigger and with international participation, has caused greater outrage than before.
    Ultra-Orthodox Jews, dressed in black suits and hats, have protested in the city, burning tyres and pelting the police with stones. Organisers say the parade will promote understanding, tolerance and open-mindedness.
    The Vatican has often criticised the rise of gay rights as a potential threat to the traditional model of the family.
    In June, it said gay marriage, abortion, lesbians wanting to bear children and a host of other practices it saw as threats to the traditional family, were signs of "the eclipse of God".

Fonte: REUTERS