No Público de hoje, António Marujo apresenta aspectos da nova encíclica do Papa, já aqui transcrita na íntegra. Texto intimista, uma longa reflexão bíblica e filosófica, que "parece especialmente dirigido à Europa", como admite o arcebispo de Milão, e merece reparos de protestantes. Dirigida só aos católicos, recusa que a humanidade será salva pelas revoluções políticas (como o marxismo), pelo progresso científico ou pelo ateísmo. É uma reflexão pessoal e intimista a segunda encíclica do Papa Bento XVI, Spe Salvi, dedicada à esperança, e ontem apresentada no Vaticano. O título em latim do documento significa "Salvos pela esperança". Foi retirado da Carta aos Romanos, texto atribuído a São Paulo: "Foi na esperança que fomos salvos." Bento XVI desenvolve uma longa reflexão bíblica, teológica e filosófica. A esperança é uma das três virtudes teologais, consideradas pela doutrina católica como dons de Deus, que sintetizam o cristianismo: fé, esperança, amor. A primeira encíclica, Deus Caritas Est, tratou do amor. É de prever que uma próxima seja dedicada à fé - antes, deverá escrever uma sobre questões sociais. Não faltam, no texto, nomes do pensamento europeu (Emmanuel Kant, Karl Marx, Fiodor Dostoïevski) e exemplos de pessoas que, para o Papa, testemunharam a esperança cristã (ver caixa). "Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar-me a mim mesmo? Deveremos perguntar-nos: o que posso fazer para que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito o máximo pela minha salvação pessoal." Talvez pelo seu carácter doutrinário, o Papa dirige esta encíclica, tal como a anterior, apenas aos católicos. A fórmula "e a todas as pessoas de boa vontade", utilizada pelos anteriores papas, sobretudo em encíclicas de dimensão mais política ou social, não foi ainda usada por Bento XVI. É um texto em que o Papa exprime "a convicção de que a recusa da fé e da esperança cristã, a recusa de Deus, levam o homem a perder-se a si mesmo", disse o porta-voz do Vaticano, o padre jesuíta Federico Lombardi. "Parece especialmente dirigido à Europa", admitiu o arcebispo de Milão, Dionigi Tettamanzi. "O Papa quer despertar a esperança dos países da velha cristandade, em especial a Europa, mas a sua perspectiva não se limita a este continente", disse o cardeal francês Albert Vanhoye. O erro de Marx A crítica de ser uma reflexão demasiado centrada na Europa foi feita já à primeira encíclica. Bento XVI tem um vasto pensamento sobre a presença do cristianismo no contexto europeu e a escolha do seu nome de Papa reflecte a preocupação com o futuro do cristianismo no Velho Continente. O Papa dirige reparos à ambiguidade do progresso, capaz do bem e do mal, ao "erro fundamental de Marx", que não disse o que fazer depois do derrube das injustiças do seu tempo, ou ao ateísmo, que surgiu nos séculos XIX e XX como "um moralismo", um "protesto contra as injustiças do mundo e da história universal". A par de parágrafos intensos sobre o que é a vida eterna (na peugada de Santo Agostinho), sobre a oração como "escola de esperança", ou sobre o sofrimento (que "faz parte da existência humana", mas contra o qual se pode "lutar") e o agir, o Papa propõe a necessidade de uma "autocrítica da idade moderna feita em diálogo com o cristianismo e com a sua concepção de esperança". E diz que os cristãos devem aprender de novo o que têm para "oferecer ao mundo". A esperança cristã tem "os outros" como horizonte, insiste Bento XVI. Um texto intimista, que procura recentrar a fé cristã no que lhe é central. Mas que inclui referências que não são consideradas centrais por outros cristãos. A parte final é dedicada à figura da mãe de Jesus, "Maria, estrela da esperança". O pastor Gill Daude, da Federação dos Protestantes de França, perguntava ontem no sítio da Internet do jornal La Croix: "Porquê invocá-la no final, mais que a Cristo, ele que se fez próximo de nós (…), ele que é "mais íntimo a nós mesmos que nós mesmos" (Santo Agostinho)."
Bento XVI propõe esperança cristã contra limites do marxismo, ateísmo e progresso
Juan Masiá Este padre só quer salvar o Papa
No Público de domingo, 25 (caderno P2), é publicada uma entrevista ao padre e teólogo jesuíta Juan Masiá Clavel, que há ano e meio foi obrigado a deixar uma cátedra em Espanha depois de pressões do arcebispo de Madrid. A entrevista é de António Marujo
Manifesta opiniões sobre temas como o aborto, o divórcio ou a bioética que, dentro da Igreja, estão muito longe das teses oficiais. Apesar disso, o padre Juan Masiá diz que não se cala. Esta semana, em Lisboa, explicou ao P2 as suas razões
Apesar das suas opiniões dissonantes da doutrina oficial católica, Juan Masiá, 66 anos, diz que o que propõe é o caminho de futuro e que apenas pretende "salvar o Papa" dos que querem impor a sua moral como um dogma. Após 35 anos no Japão a ensinar teologia moral, o teólogo e padre jesuíta espanhol foi pressionado, há ano e meio - pelo cardeal de Madrid, Rouco Varela, disse-se na altura - a deixar a cátedra que tinha em Espanha, por causa das teses defendidas no livro Tertúlias de Bioética (ed. Trotta). Voltou a Kobe (Japão), onde ensina na Universidade Católica e trabalha em organismos da Igreja. Esteve em Portugal esta semana num colóquio sobre o cristianismo no Japão e na conferência Debates de Bioética: novos desafios políticos e religiosos. Em Portugal tem publicado A Sabedoria do Oriente.
Sente-se expulso?
Não. Os superiores da Companhia [de Jesus] e da universidade tiveram necessidade de proteger a instituição e demasiado medo dos cardeais e bispos. Pude voltar ao meu trabalho no Japão e falar com mais liberdade, não estou condenado nem proibido…
Tem dito que é mais natural ser padre no Japão que em Espanha. Porquê?
No meu país, se um teólogo fosse chamado a uma comissão nacional de bioética, algumas pessoas considerariam isso um privilégio, outras diriam que a Igreja não se devia meter. No Japão, o facto de ser teólogo ou padre não dá nenhum privilégio, mas também não é objecto de preconceito. Estou com naturalidade num mundo plural.
Teve essa experiência?
Sim, estive num comité de bioética da Faculdade de Medicina da universidade civil de Tóquio, em representação do mundo das religiões, porque o budista convidado não pôde e o protestante também não. Isto é tomar com naturalidade o pluralismo, a laicidade bem entendida.
É essa a experiência que falta à Igreja na Europa?
Em Espanha, percebi isso. O caso em que a hierarquia eclesiástica se opôs à lei de reprodução assistida ou à legislação biomédica não era possível discuti-lo por razões políticas ou religiosas. Se digo que sim a uma lei porque o meu partido diz que sim ou se digo que não porque a Igreja diz que não, isso é ideologia. Não se deve impor a ideologia de um partido ou igreja, mas debater as questões civicamente, antes que se politizem no parlamento.
As questões de bioética não estão muito partidarizadas?
Sim, e também muito "religiosizadas", quer dizer, tanto pela política como pela religião se faz ideologia, não se permite pensar.
O que o separa dos bispos que pressionaram a sua saída?
Se me tivessem dito, eu teria agradecido. Não disseram nada. Isto ocorre muito dentro da Igreja. Se tivessem sido leais numa carta, pedindo para explicar ou corrigir seis ou sete pontos de um livro… Mas nunca disseram nada. Suspeito que [a razão] não foi o preservativo, citado pelos jornalistas, mas o tema da dissensão na Igreja, que não agrada nada ao cardeal Rouco Varela [arcebispo de Madrid], nem a muitos bispos espanhóis. Não lhes agrada ouvir que a Igreja no Japão tem outro modo de dizer e fazer. E têm muito medo dos meios de comunicação. Dizem que escreva a minha opinião num livro, com muitas notas, mas na imprensa, na Internet, numa entrevista…
Essa atitude de pressionar alguém…
É muito típica e o Vaticano utiliza-a muito, também.
Não é contrária ao evangelho?
Totalmente.
E porque é tão utilizada?
Isso também me pergunto. Desgraçadamente, usou-se muito ao longo da história. É uma questão de poder.
Dá a impressão que, por vezes, alguns argumentos que a Igreja propõe perdem força porque predomina o dedo apontado a dizer não.
É um semáforo vermelho, que é uma lástima, perde-se credibilidade. É o que dizia o Papa João XXIII acerca dos profetas da desgraça: parece que se sentem obrigados a queixar-se do mal que há no mundo. Como se o papel da Igreja fosse o de ser polícia da moralidade, em vez de dar esperança.
A religião tem que aparecer como algo que trava a ciência?
Não, pelo contrário. Tanto a ciência como a mística, que parecem opostas, coincidem em deixar-se mudar pela realidade. O autêntico cientista não presume ter a totalidade da verdade, está disposto a mudar. E o autêntico teólogo tem que ser humilde e admitir que a realidade vai mudando. Religião e ciência têm que ter uma atitude de busca e de caminho e não de dizer que têm as respostas todas.
Isso significa que a ciência pode fazer tudo o que a técnica permite?
Não, a pergunta do cientista é: "Devemos fazer tudo o que podemos?" O mesmo do ponto de vista religioso ou ético. Temos que a responder debatendo.
A partir dos diferentes pontos de vista?
Admitindo todos os pontos de vista. Primeiro, temos que ter os dados da ciência. Se a ciência se torna um dogma ou quer impor uma visão da vida, converte-se em ideologia. A religião ou a ética, quando querem impor as suas respostas, também estão a fazer ideologia. O problema não é religião ou ciência, mas a ciência e a religião convertidas em ideologia. Isso é fundamentalismo. O autêntico cientista e o autêntico religioso são abertos a uma ética de perguntas: descobrimos algo novo, como usá-lo para bem da humanidade e da vida?
O que propõe no subtítulo do seu livro - Manejar a vida, cuidar das pessoas - é para situar os limites da ética?
Primeiro, há que cuidar das pessoas, os limites vêm depois. Podemos manejar a vida mais que antes, mas isso deve ser feito para favorecer a vida, as pessoas, a ecologia, o planeta. Antes das normas, temos os valores da vida, da pessoa, do futuro da humanidade e do planeta. Porque damos importância a esses valores, aparece a ética e fazemos perguntas. Por vezes haverá que colocar limites, outras há que fomentar novas descobertas.
No centro deve estar a pessoa?
A pessoa, incluindo as gerações futuras e o planeta. Não podemos destruir o que nos rodeia. Temos que cuidar o planeta. Isto foi enfatizado pela bioética desde o início.
A regulação da natalidade deve ser natural ou artificial?
Essa definição natural/artificial é um equívoco que deveria estar superado há mais de 40 anos. O natural é, muitas vezes, muito pouco natural. E o artificial não é mau por isso. Ambos estão bem, se forem usados responsavelmente.
Mas a doutrina da Igreja insiste na distinção.
Há que ter cuidado em dizer "a Igreja". Sobre os métodos naturais ou artificiais há um dissentimento na Igreja que, por desgraça, está por resolver. É uma questão secundária, não é matéria de fé, de obediência ao Papa, nem de pecado. Em bioética não há dogmas. Esta é uma questão de eclesiologia mal aprendida: muita gente tem uma visão da Igreja como se fosse dogma tudo o que diz o Papa.
A selecção de embriões pode ser uma utopia biologista? Há um risco de criar discriminação?
Há esse risco. Conheço um caso de um casal muito a favor da vida, a quem recomendaram abortar e que não o fez. Tiveram um filho com deficiência. Quiseram o segundo e o médico disse que poderiam ter o mesmo problema. Mas disse-lhes que havia possibilidade de fazer fertilização in vitro e eles optaram por isso. Vendo esse caso, não diria que esta família está contra a vida.
No Japão, as associações de deficientes perguntaram se, ao tornar rotina a selecção de embriões, isso não seria dizer que pessoas como eles não são necessárias nesta sociedade, que seria melhor que não tivessem nascido. Isto faz pensar e devemos ver como é que muda a nossa maneira de ver. Mas dizer que de nenhuma maneira se pode fazer é exagerado.
Os transplantes podem dar a ilusão do homem perfeito?
Há esse perigo. Mas, por existir o perigo, não tem que se dizer não a todas essas situações. Nos transplantes, mesmo que aumentasse o número de doadores e de pessoas que não queriam receber, não haveria número suficiente de órgãos. Criámos uma expectativa que antes não havia. Não haverá nunca órgãos suficientes, veremos o que sucede com os artificiais ou as células estaminais. Há um problema na nossa cultura, de como vemos o corpo. Isso deve fazer-nos pensar. Mas, por essa razão, dizer que não aos transplantes, é exagerado.
O aborto deve ser despenalizado ou liberalizado?
É discutível. Uma pessoa contra a liberalização ou a despenalização não tem o direito de dizer que quem é a favor é assassino. É como na eutanásia: como crente, não digo que a minha fé me obriga a não optar por isso, mas que me sinto chamado a deixar o final da minha vida nas mãos do Deus em quem creio. Mas não iria a uma manifestação contra a despenalização da eutanásia. Opor-me, em nome da Igreja ou da fé, à despenalização do aborto ou da eutanásia não vejo [possível]. Se há um debate cívico, posso dar as minhas razões, chamar a atenção para os riscos ou…
Não se pode cair na tentação da facilidade?
Sim, mas a tentação é de ambos os extremos. Quando se diz "não haverá perigo de…?", não se faz nada? Se há perigo, evite-se o perigo.
O divórcio é o fim de um compromisso ou a possibilidade de recomeçar?
É muito interessante a maneira como os bispos japoneses falaram do problema. Primeiro, dedicam várias páginas ao ideal. Depois referem: dito isto, a realidade é que esse ideal foi rompido, por circunstâncias que são culpa de ambos ou de nenhum. E dizem três coisas: que os casais sejam acolhidos como Cristo os acolheria; que sejam acolhidos calorosamente; e que se caminhe com eles nos passos que dão para refazer a vida.
Não chegam a dizer que quem volta a casar pode comungar.
Em japonês, pode ser-se muito claro sem ser explícito. Se o dissessem, provavelmente criariam problemas em Roma. De facto, ao dizerem aquela frase, disseram-no. E é isso que se está a praticar.
Pode-se dissentir na Igreja?
Alguém me dizia: "E a tua fidelidade ao Papa?" A fidelidade ao Papa não é lealdade feudal, obriga-me a uma fidelidade criativa, a defender o Papa de tudo o que o rodeia e que impede que se façam todas estas mudanças que já deveriam ter sido feitas há muito tempo. Por fidelidade criativa, sentimo-nos obrigados a dissentir na Igreja - não da Igreja.
Como jesuíta, tem o voto de obediência ao Papa, tal como o seu colega, padre Jon Sobrino. Ambos foram "castigados"…
Avisados. Recebemos o aviso, com todo o respeito, mas estamos convencidos…
Sente-se a desobedecer ao Papa?
Não, não, não. Sinto-me obrigado a continuar dizendo, com muito respeito e humildade, sem querer impor a minha opinião, mas… a salvar o Papa.
Às vezes não seria mais prudente não criticar algumas coisas?
Seria mais prudente, mas a questão da prudência leva-nos ao perigo contrário. Daqui a dez ou 20 anos, iriam dizer-nos: porque estavam calados, porque não falaram?
Seria imoral?
Calar é imoral. Se falar é imprudente, calar é manter uma situação. É uma responsabilidade muito grande. Fazem falta mais bispos que não aspirem ao poder e falem com toda a liberdade.
O que defende não é minoritário entre os católicos?
Em alguns lugares, sim, noutros não. É verdade que houve retrocesso em relação ao Vaticano II, mas por isso é preciso continuar afirmando-o.
Esse é o caminho do futuro?
Creio que sim, mesmo se gerações de neoconservadores e de alguns padres jovens vão por outra linha, atrás deles virá outra geração que aproveitará as sementes já lançadas. Há que continuar com optimismo e esperança. Sem crispação e com espírito evangélico, é preciso falar admitindo o pluralismo.
Já compreendeu o pontificado de Bento XVI?
Não. Dão-me mais medo pessoas ao redor dele. Confio que Ratzinger não é fanático. Tivemos vinte e tantos anos de documentos numa linha distinta, de repressão de teólogos, controlo de seminários, fomento de determinado tipo de vocações…
Apesar de tudo, continua optimista e sorrindo.
Se não fosse assim, não estaríamos aqui. A ideia de Jesus é essa. O [antigo] padre [geral dos jesuítas] Pedro Arrupe dizia isso: o cristianismo, mais que religião do amor, é religião de esperança.Encontro inter-religioso em Nápoles
Livro do Papa contraria visões politizadas e especulativas sobre a figura de Cristo
O anunciado livro do Papa Bento XVI sobre Jesus estará à venda a partir desta segunda-feira, em Itália, e chegará em Maio a Portugal. Hoje, no Público, levantei um pouco do véu sobre o conteúdo, a partir da leitura já feita por várias agências.
É um livro que pretende traduzir apenas uma “busca pessoal” e não quer afi rmar-se como um “acto relevante” do magistério do Papa. Jesus de Nazaré, da autoria de Joseph Ratzinger ou Bento XVI, será posto à venda em Itália, Alemanha e Polónia amanhã, dia em que o Papa faz 80 anos. Em Maio estará nas livrarias portuguesas. O livro já se anuncia como tentativa de contrariar perspectivas políticas da fi gura de Jesus ou especulações sem fundamento histórico como as veiculadas por fi cções como O Código Da Vinci. Mas a obra pode ser discutida e contestada. “Qualquer pessoa é livre de me contradizer”, escreveu o Papa, citado pela Reuters. Com este texto, começado a escrever em 2003, dois anos antes de ser eleito Papa, Ratzinger denuncia os “maus livros, destruidores da fi gura de Jesus e da fé, cheios de resultados presumidos de exegese”. A citação, transcrita pela AFP, pode ser lida como alusão ao Código, que foi criticado por várias fi guras destacadas da Igreja. “Tentei apresentar o Jesus dos evangelhos como o verdadeiro Jesus, como o Jesus histórico no verdadeiro sentido”, escreve o Papa, que já antes de ser eleito, faz quinta-feira dois anos, era um dos mais importantes teólogos católicos. A reafi rmação de que esta é uma obra do pensador e não do líder da Igreja Católica é feita numa sinopse do livro, citada pela Zenit, uma agência ofi ciosa do Vaticano. Jesus de Nazaré “refl ecte a busca pessoal do ‘rosto do Senhor’ por parte de Ratzinger e não pretende ser um documento do magistério”, diz o texto. Ou seja, não tem o carácter ofi cial e hierárquico de textos como as encíclicas ou as exortações. Com um livro pleno de citações da Bíblia e de autores tão diferentes como Karl Marx, Madre Teresa, Sócrates, Confúcio, Dante ou Nietzsche, Ratzinger alerta: “A interpretação da Bíblia pode tornar-se um instrumento do Anticristo”. O Papa insiste na ideia do “primado de Deus” e critica os que pretendem que a Igreja “se preocupe antes de mais com o pão a dar ao mundo”. Quando Deus é considerado “secundário” em relação a outras coisas pretensamente mais importantes, estas “fracassam”. “A experiência negativa do marxismo não é a única a demonstrá-lo”, acrescenta. Estas referências têm outros alvos: de um lado, os biblistas que acentuam o estudo histórico da fi gura de Jesus. Nesta perspectiva, o Papa enal- O livro será posto à venda amanhã em Itália, Alemanha e Polónia; em Maio, estará nas livrarias portuguesas tece o método histórico-crítico como “indispensável para uma exegese séria” e que colocou à disposição uma grande quantidade de material e conhecimentos que permitem reconstruir a fi gura de Jesus”. Apesar disso, Ratzinger diz que “só a fé pode fazer compreender que Jesus é Deus”. O outro alvo é a teologia da libertação, que defendia, a partir da análise da realidade, uma maior intervenção social da Igreja. “Sim, realmente aconteceu. Jesus não é um mito. É um homem feito de carne e sangue, uma presença totalmente real na história. Ele morreu e ressuscitou de entre os mortos”, escreve Ratzinger. O livro cita ainda problemas do mundo contemporâneo como o drama das populações de África, “roubadas e pilhadas” pelo “estilo de vida” ocidental. A obra será publicado em 20 línguas. Ratzinger planeia um segundo volume consagrado às narrativas da infância de Jesus. No primeiro, analisa a vida pública de Cristo, desde o baptismo no Jordão até ao episódio da Transfiguração.
Quando o Papa Paulo VI surpreendeu o mundo
O tema e o tempo escolhidos não eram esperados. A encíclica Populorum Progressio (O Desenvolvimento dos Povos) parecia mais um texto saído de alguma instituição económica. O Ocidente vivia um tempo de euforia: o crescimento económico antecipava a abundância, o processo de descolonização entrava na recta final (só Portugal mantinha colónias). Mas havia já sinais prenunciadores da crise: a difícil luta pelos direitos cívicos dos negros norte-americanos, a agonia da guerra do Vietname. A revolta estudantil francesa chegaria em Maio de 1968…
Comungando de algum optimismo, a encíclica de Paulo VI não deixava de alertar: "Os povos da fome dirigem-se hoje, de modo dramático, aos povos da opulência", escrevia o Papa Montini no terceiro parágrafo. O documento saía apenas 15 meses depois de terminado o Concílio Vaticano II, que iniciara a reforma da Igreja e retivera, entre 1962 e 1965, a atenção de muitos.
A surpresa será maior se se pensar, recorda Peter Stilwell, que nessa altura o papado - estamos antes de João Paulo II e da massificação televisiva - não atraía as atenções que depois conquistaria. Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, coordenou a edição de vários documentos de doutrina social católica (Caminhos da Justiça e da Paz, ed. Rei dos Livros), entre os quais a Populorum Progressio.
Já se começava a falar de neocolonialismo, lembra este especialista. Os países que tinham conquistado a independência após a II Guerra Mundial continuavam dependentes. Havia excepções: Leopold Senghor no Senegal, Julius Nyerere na Tanzânia. Mas a maioria das lideranças africanas mais não fazia que "reproduzir as estruturas das anteriores administrações coloniais", diz Stilwell.
Tal realidade era referida por Paulo VI: "Os povos que ainda há pouco tempo conseguiram a independência nacional sentem a necessidade de acrescentar a esta liberdade política um crescimento autónomo e digno, tanto social como económico."
"Liberalismo esmaga"
É neste contexto que, qual pedrada no charco, surge a encíclica. "O desenvolvimento é o novo nome da paz", escrevia então o Papa, num enunciado que ficaria célebre. E o desenvolvimento "não se reduz ao simples crescimento", acrescentava. A novidade "foi que o desenvolvimento foi compreendido como um processo universal", disse quarta-feira passada na Universidade Católica, em Lisboa, um dos peritos que foram convidados por Paulo VI a trabalhar na redacção da encíclica.
Jean-Yves Calvez, de 79 anos, padre jesuíta e teólogo, é um dos mais importantes especialistas no pensamento social católico, com uma larga lista de títulos publicados em campos como a filosofia política ou o marxismo. Na época em que participou na redacção da encíclica, Calvez admite que "toda a gente" imaginava que era uma questão de "curto prazo" acabar com a miséria.
Em entrevista ao PÚBLICO, o padre Calvez reafirma: "Toda a gente falhou: economistas, políticos, todos os que se implicaram na questão do desenvolvimento nos anos 50-60. Imaginavam que, com uma política monetarista e meios financeiros, se poderia elevar o nível de toda a população que tínhamos deixado ao abandono no tempo colonial." Mesmo assim, o teólogo tem uma perspectiva optimista: "Ao mesmo tempo, tivemos sucessos, não se pode dizer que fracassámos em toda a linha. Mas há problemas difíceis ."
Na conferência da Universidade Católica, Calvez situou: a "questão maior" era a da ""disparidade", da flagrante desigualdade quanto ao desenvolvimento". Mas não bastava recorrer aos mecanismos económicos para resolver os problemas. O Papa, diz, tinha consciência da importância da cultura. "Paulo VI tinha um sentido muito agudo dessa necessidade. Foi o que a encíclica trouxe de novo. Não trouxe grandes invenções sobre modos de financiamento ou industrialização, mas sim sobre os aspectos culturais e sociológicos."
Tal visão traduzia-se em alguns enunciados: um desenvolvimento integral e solidário; ambivalência do crescimento, já que "possuir mais não é o fim último"; o destino universal dos bens acima do direito à propriedade e do comércio livre; o risco de "esmagar" os países pobres com o peso da dívida; o "escândalo intolerável" do esbanjamento; a necessidade de "construir uma ordem jurídica internacionalmente reconhecida".
Pelo meio, Paulo VI anunciava a criação de uma comissão para favorecer as ideias da encíclica - "Justiça e Paz é o seu nome e o seu programa". E apelava à criação de um "fundo mundial, sustentado por uma parte da verba das despesas militares, para vir em auxílio dos mais deserdados".
Quarenta anos depois, Calvez verifica: "A repartição é mais desigual que nunca". E se "o liberalismo é eficaz de muitas maneiras, traz também o esmagamento e a exclusão de muitos". Mas a encíclica tem um "rico conjunto de princípios".
Um sentimento de urgência atravessava o documento: "Temos de nos apressar: há muitos homens a sofrer e cresce a distância que separa o progresso de uns da estagnação e até da regressão de outros." Esta frase tem mesmo 40 anos?
Bento XVI, Habermas e a razão
Através do blogue de Isabelle de Gaulmyn, jornalista correspondente de La Croix em Roma, tomei contacto com a continuidade do debate sobre as proposições de Bento XVI, sobre a fé e a razão, aquando do seu discurso em Ratisbona, em Outubro último. No mês passado, em artigo publicado num jornal suiço de expressão alemã, o filósofo Jurgen Habermas, que já em 2004 tinha protagonizado um debate com o então cardeal Ratzinger, apontou algumas críticas que segundo ele, o discurso do papa lhe suscitava. A resposta, curiosamente, acabou por chegar do cardeal e teólogo Ruini, que recentemente deixou a presidência da Conferência Episcopal Italiana.
Os documentos de referência para este debate são os seguintes:
- Bento XVI, Fe, razón y universidad. Recuerdos y reflexiones - Discurso en Ratisbona
- Sandro Magister, Habermas escribe a Ratzinger, Ruini responde. Aliados contra el "derrotismo" de la razón moderna
- Camillo Ruini, Card. La ragione, le scienze e il futuro della civiltà
- Jurgen Habermas, Ein Bewusstsein von dem, was fehlt: Über Glauben und Wissen und den Defaitismus der modernen Vernunft, 10.2.2007
Papa convida jovens a serem testemunhas da não-violência
A Zenit noticia no seu serviço de hoje:
Bento XVI convidou os jovens, nesta quarta-feira, a serem testemunhas da não-violência. Ao despedir-se dos milhares de peregrinos que foram à audiência geral das quartas-feiras, o Papa dirigiu, como de costume, uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. "Queridos jovens, sede por toda parte testemunhas de não-violência e de paz. Isso é importante precisamente hoje! E com este generoso compromisso, contribuireis a construir um futuro melhor para todos", exortou-os.
Referendo sobre o aborto: “jogar a feijões”
Dos melhores textos que tenho lido de reflexão sobre os argumentos a favor do sim e do não no próximo referendo sobre o aborto é este "jogar a feijões", de Helena Araújo (os amantes de um pensamento rico e de uma escrita fluente ganham em fixar este nome), do blogue 2 Dedos de Conversa.
A autora inseriu também a tradução de alguns textos do site alemão Donum Vitae, uma rede de centros animados por católicos, que acolhem mulheres em situação de gravidez indesejada. Estes centros eram até ao final dos anos 90 assumidos oficialmente pela Igreja Católica. Uma tomada de posição de João Paulo II de crítica ao trabalho ali desenvolvido levou os bispos a afastar-se. Muitos católicos consideraram que seria trágico interromper esse trabalho pelo que criaram uma instituição própria que deu continuidade à actividade dos centros de aconselhamento.
Discurso de Ratisbona:
muçulmanos escrevem ao papa
Cerca de quatro de dezenas de académicos e líderes religiosos do mundo muçulmano endereçaram ao papa Bento XVI uma "Carta Aberta" a propósito do seu discurso em Ratisbona, Alemanha, em Setembro passado, que tanta polémica originou. O documento, divulgado pela revista Islamica Magazine, encontra-se traduzido em oito idiomas, um dos quais o espanhol, do qual respigámos a abertura:
"En relación con vuestra conferéncia en la Universidad de Regensburgo, Alemania, el 12 de Septiembre de 2006, hemos creído apropiado, en un espíritu de libre intercambio, considerar vuestro uso de un debate entre el Emperador Manuel II Paleologus y un «erudito persa» como punto de partida para un discurso sobre la relación entre la razón y la fe. Pese a que aplaudimos vuestros esfuerzos por combatir el dominio del positivismo y el materialismo en la vida humana, debemos señalar algunos errores en la forma en que os referisteis al Islam como un contrapunto al uso apropiado de la razón, así como en las aseveraciones que realizasteis en apoyo de vuestros argumentos".
Complemento:
Sobre este mesmo assunto - ou seja - o discurso e o papel de Bento XVI - importa registar o primeiro de dois artigos que José Pacheco Pereira começou a publicar qunta-feira, dia 28, no Público, e que transcreve, com desenvolvimentos, no blogue Abrupto, sob o título UM INTELECTUAL ORGÂNICO EUROPEU: JOSEPH RATZINGER (BENTO XVI).
Opinião
Sinais
Há, no modo de agir do papa Bento XVI, aspectos inovadores, cujo significado e alcance o tempo se encarregará de revelar.
De entre eles, destaco dois: o modo como assumiu o seu livro sobre Cristo, recentemente anunciado, e a separação que mostrou querer fazer, na visita à Turquia, entre a sua posição enquanto cardeal Ratzinger e enquanto papa quanto à possibilidade de aquele país vir a integrar a União Europeia.
Relativamente a este último ponto, é sabido que o então cardeal Joseph Ratzinger manifestou, por mais de uma vez, sérias reticências ao sentido que possa ter o acolhimento da Turquia na UE. Seguindo uma lógica que não suscitaria, provavelmente, demasiadas resistências, Ratzinger, uma vez eleito papa, poderia procurar impor a sua visão das coisas, reorientando a diplomacia do Vaticano. Não foi essa a via que seguiu. As responsabilidades da condução da Igreja levaram-no a reavaliar a posição a adoptar.
Mais interessante foi o que se passou com o livro de que é autor - "Jesus de Nazaré - do Batismo à Transfiguração" - e que terá escrito nos tempos livres das suas funções papais. O seu porta-voz, além do panegírico ao pensamento teológico do autor, fez questão de sublinhar algo que certamente lhe foi recomendado: que os teólogos eram livres de discutir a obra, visto que ela era publicada pelo papa, certamente, mas não enquanto papa, mas, antes «, enquanto académico e teólogo.
Nos tempos que vivemos, fará certamente sorrir muitos esta distinção entre o que pode e não pode ser objecto de debate. Tudo pode e deve - diria eu - ser questionado, aprofundado, confrontado. Mas enfim! É aí que ainda estamos. Porém, a novidade - creio que notável e relativamente inédita, nos tempos modernos, é que Bento XVI aceite submeter o seu pensamento teológico desligado das suas responsabilidades papais.
É, certamente, um sinal positivo.
Nota complementar:
Este livro - escreve o Papa no prefácio - “non è assolutamente un atto magisteriale, ma è unicamente espressione della mia ricerca personale del ‘volto del Signore’ (Salmo 27,8). Perciò ognuno è libero di contraddirmi. Chiedo solo alle lettrici e ai lettori quell’anticipo di simpatia senza la quale non c’è alcuna comprensione”.
Liberdade religiosa na Turquia
Sobre o problema da liberdade religiosa na Turquia, um dos temas que se prevê que o papa abordará na viagem ao país, escreve-se no Destaque do Público de domingo:
Será um tema para abordar com pinças, mas o Papa Bento XVI não deverá deixar de se referir à questão da liberdade religiosa na Turquia. Ainda mais delicado, porque constitui também uma pedra de toque nas negociações para a eventual entrada da Turquia na União Europeia. O problema é vasto. No relatório de 2005 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) assinala que a Turquia não reconhece juridicamente as confissões religiosas minoritárias. De acordo com a AIS, organização dependente do Vaticano e vocacionada para apoiar crentes perseguidos e a viver em países pobres, não há na Turquia qualquer lei sobre o direito de propriedade das comunidades religiosas que lhes permita “manter as actuais e recuperar as que foram confiscadas ao longo dos últimos 70 anos”. As dificuldades não acabam no plano formal. A Constituição turca garante a liberdade de consciência, de expressão e de religião, mas qualquer conversão de um muçulmano ao cristianismo é muito mal encarada num país com 72,5 milhões de habitantes, dos quais 97 por cento são muçulmanos (dois por cento são agnósticos e menos de um por cento são cristãos). E, como nota o relatório da AIS, nem os muçulmanos escapam às leis que proíbem a pregação do Alcorão fora dos lugares actualmente permitidos ou o uso do véu pelas mulheres que o desejem.
Aproximação de católicos e ortodoxos na agenda turca de Bento XVI
Sobre o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, escreve-se no Destaque de domingo do Público:
O objectivo número um da viagem do Papa Bento XVI à Turquia é a aproximação com a Igreja Ortodoxa, da qual o patriarca Bartolomeu I é o primus inter pares. Uma declaração comum será assinada pelos dois líderes religiosos no dia 30, quinta-feira, naquele que será mais um passo na aproximação mútua de duas igrejas, separadas formalmente desde 1054 – há quase mil anos. (…) A viagem “terá um grande significado para o diálogo entre a Igreja Católica e a ortodoxia”, afirmou o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone. (…) Líder espiritual dos perto de 200 milhões de ortodoxos do mundo inteiro, Bartolomeu convidou o Papa para aquela que é a festa mais importante do patriarcado, a festa de Santo André. De acordo com a tradição, foi este discípulo, um dos mais doze apóstolos seguidores de Jesus, o primeiro a anunciar o evangelho na cidade. Mesmo se é simbolicamente importante, não se espera que o encontro traga novidades importantes ao processo de aproximação mútua. A divergência maior – o primado do Papa – está longe, ainda, de ser resolvida.
Bento XVI na Turquia, a viagem mais arriscada
O Público dedica o seu Destaque de domingo a uma antevisão da viagem do Papa Bento XVI à Turquia. O ambiente que rodeia a visita, o islão turco, a prioridade ao diálogo com os ortodoxos e as questões relativas à liberdade religiosa são alguns dos temas desenvolvidos em três páginas. Aqui fica o início do primeiro texto:
O Papa Bento XVI inicia terça-feira aquela que é, até agora, a mais difícil viagem do seu pontificado de ano e meio. Depois da Alemanha (duas vezes) e da Polónia, a Turquia é o destino. O diálogo ecuménico entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa, a Europa, a adesão da Turquia à União Europeia e a liberdade religiosa serão temas a abordar, directa ou indirectamente, pelo Papa. Mas o actual clima entre islão e Vaticano acabará por dominar vários dos actos da viagem.
Partiu do patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I - líder espiritual dos cristãos ortodoxos -, o convite para que Bento XVI fosse à Turquia. O encontro assume importância significativa num momento em que o patriarca russo disputa um lugar ao sol entre as primazias na Igreja Ortodoxa. Uma importante declaração sobre a aproximação entre catolicismo e ortodoxia será mesmo assinada nesta visita. Mas a viagem será muito dominada pelo tema da relação com o islão.
Responsável turco não quer discutir discurso de Ratisbona com Bento XVI
O responsável do Departamento turco para os Assuntos Religiosos diz que não quer discutir o discurso do Papa em Ratisbona, em Setembro, na visita que Bento XVI faz ao país na próxima semana. A não ser que…
The head of Turkey’s religious affairs department, Ali Bardakoglu has said he has no intention to bringing up the criticisms of Benedict XVI “unless the Pope puts it on the agenda”, but did not exclude possible protests during the papal visit to Turkey from 28 November to 1 December. However he also stressed that the Turkish people would welcome the pope with solemnity without creating big incidents. Bardakoglu’s commented appeared in an interview with the German Der Spiegel that was cited by the Turkish press. The head of the religious affairs department – that had reacted very strongly to the ‘lectio’ of Benedict XVI in Regensburg in September – said the statements made on that occasion, to the effect that Islam imposed itself over logic, were a “apparent and prejudiced attack to Islam’s main principles."
In an interview with Turkey’s CNN, Bardakoglu said he was sure the people would be reasonable and sensible about the pope’s visit and would not neglect their visitor. “Our doors are open to everybody. If somebody makes a false statement about Islam, we will make our attitude clear. This could be a Muslim, Jew or Christian,” he said.
A notícia mais completa está no Asia News.
Leituras
Duas leituras no jornal Le Monde:
- "Hans Küng : l’autre ‘cerveau’ de l’Eglise", um retrato do teólogo alemão feito pelo jornalista Henri Tincq. Um contraponto inevitável com aquele que é hoje o papa Bento XVI. O texto arranca deste modo: "Longtemps, ils ont été les frères jumeaux de la puissante théologie allemande. Même âge à un an près, même parcours universitaire à Tübingen, même brio intellectuel, même boulimie pour l’écriture, même passion pour la musique et Mozart, même audace quand ils étaient jeunes experts au concile Vatican II. Dans les années 1960, ils voulaient changer le monde et l’Eglise. Aujourd’hui, Hans Küng, 78 ans, est doyen émérite de l’université de Tübingen, conférencier international, auteur prolifique, président de la Fondation pour une éthique planétaire. L’autre, Joseph Ratzinger, 79 ans, est pape".
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Entrevista do mesmo jornalista a Jean-Michel di Falco, presidente do conseil pour la communication de la Conférence des évêques de France. Intitula-se "Les médias au risque du voyeurisme". Abre assim: "La télévision est la nouvelle religion païenne. Autrefois, les familles se retrouvaient pour l’angelus et la prière qui ponctuait toute la vie chrétienne. Aujourd’hui, elles se rassemblent pour le journal télévisé de 20 heures, la "grand-messe" de l’information, avec un ‘grand prêtre’, le présentateur, pour la célébrer. Et ce journal se déroule selon un rite bien défini, le conducteur, qui est l’équivalent de la ‘liturgie’".
